sexta-feira, 26 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
Experiência [quase] religiosa
Sábado passado foi Dia
de Acção de Graças, um dia comemorado nos EUA, mas não por cá. De qualquer
modo, é um dia religioso e como o filhote está no primeiro ano da catequese
achei que seria uma boa justificação para começar a ir à missa. Passei o dia a
motivá-lo, a explicar-lhe como seria, como se devia comportar, enfim, entramos
em modo de preparação completa.
Às 19 horas, chegamos à
igreja e a missa não era lá! Como se tratava de uma homenagem aos meninos da
catequese estavam cerca de 300 pessoas, portanto, toca de nos deslocarmos para
o auditório do Centro Paroquial onde nos esperava casa cheia. Da catequista do
“piqueno”, nem sinal, logo, ficou fora de questão deixá-lo, sem vigilância,
junto dos outros meninos [até porque quando tentei, tratou logo de subir para o
altar para cumprimentar o padre, que por essa altura já tinha começado a
homilia, mas chatear-me porquê, afinal só tínhamos 300 pessoas a olhar para
nós!].
Depois de 2 minutos no
exterior para acalmar, voltámos a tentar e tenho a dizer-vos que fiquei
surpreendida, o rapaz conseguiu ficar quieto durante 10 minutos [pena que a
missa não demore apenas 10 minutos]. Findo este breve período de tempo, regressa a
agitação. De volta às estratégias para o manter quieto, saco da minha agenda e
de uma caneta e começo a fazer desenhos. Resultou… mais 10 minutos… quando já
pensava que se calhar já chegava para primeira experiência ele volta a acalmar
e fica a ouvir o padre.
Foi então que a coisa se
complicou… No silêncio da homilia ouço uma voz familiar ao meu lado, no seu normal
tom esganiçado [30% acima do permitido por lei]: “Mamã, Jesus morreu?”. Cento e cinquenta cabeças voltaram-se para
nós. “Sim, amor” respondi eu baixinho
[pensando que a conversa ficava por aí], ao que o puto “volta à carga” para
toda a assembleia ouvir: “A sério,
mamã???? Porquê?”.
Bom, vejamos a situação
pelo lado positivo: assistimos a metade da missa pelo que na próxima semana,
com menos gente, numa missa normal, vai ser mais fácil e… divertimos uma
audiência de 300 pessoas. Quantos de vocês tiveram um fim-de-semana tão proveitoso?
segunda-feira, 22 de abril de 2013
E o sol voltou a brilhar…
Não tenho aqui escrito
nada ultimamente porque sentia uma espécie de nuvem muito escura sobre a minha
cabeça e, como já vos disse antes, não quero tornar este blog num espaço sombrio, porque eu não sou assim.
Para que tenham uma
ideia… A minha casa precisa urgentemente de ser pintada, metade dos meus
electrodomésticos estão a deixar de funcionar,
o puto precisa de óculos novos e de ir ao dentista e a minha conta bancária é
mais assustadora do que um filme de terror.
A juntar a tudo isto,
ouço gritos do miúdo logo pela manhã [primeiro porque não se quer vestir,
depois porque não quer tomar o pequeno almoço e finalmente porque não lhe
apetece sair de casa] e ao final do dia [porque quer ficar na escola]. Chegamos
a casa e, claro está, a algazarra continua até ir para a cama. Não sei como,
adquiriu a convicção de que todos os motivos são bons para gritar e, até esta
fase passar, gritos é o que teremos. A lista dos meus aborrecimentos parece
infindável, mas chega de me lamentar…
Na semana passada
falaram-me de um blog que conta a
história da luta de uma jovem, de cerca de trinta anos, contra um cancro que a
acabou por matar.
Durante três anos, a Silvina [que afinal se chamava Rita] expõe, na primeira
pessoa, todas as batalhas que travou, todos os medos, expectativas e esperanças
que sentiu. Lemos post após post dominados pelo conhecimento prévio
de que ela perdeu a batalha.
Confesso que me sinto um
pouco sinistra ao dizê-lo, mas a cada frase que lia me sentia mais convicta de
que a desgraça dos outros, por vezes, nos consegue animar. Se não vejamos:
tenho uma saúde de ferro e o meu filho também. Nem sequer me lembro da última
vez em que estive doente, acho que nunca tive sequer uma gripe, ele há cinco
anos que não adoece. Sou imune a todo o tipo de vírus, inclusive os mais
improváveis, como o dengue ou a
tuberculose. O meu metabolismo é de tal forma acelerado que, apesar de não ter
cuidados extraordinários, tenho um nível médio de massa gorda de 6%. As nossas
análises estão sempre tão perfeitas que, na maioria das vezes, nos mandam
repetir suspeitando de algum erro.
Tenho um filho muito
inteligente e que, gritos à parte, é uma pessoa linda, capaz de cativar todos
os que se dão ao trabalho de o conhecer. É uma criança tão carismática que
quando andava no infantário, e necessitava de mais vigilância, os outros
meninos [especialmente as meninas] guerreavam entre si para tomarem conta dele.
Em resumo e sem mais divagações, estamos vivos, juntos e somos super saudáveis!
Achamos sempre que a
nossa vida é uma confusão, até olharmos em volta e nos deparamos com vidas
realmente complicadas, com situações indescritíveis. Mesmo quando estamos no
limite faz-nos bem verificar que alguém já o passou, só então percebemos a
sorte que temos! Portanto, estou de volta e este vai ser um dia luminoso!
sexta-feira, 19 de abril de 2013
No jardim do "meu" Palácio...
Pois que o meu Palácio tem, como podem ver, um belo de um jardim, do qual pretendo usufruir MUITO este Verão.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Bem-vindos à Holanda
Não
posso deixar de partilhar com vocês um texto maravilhoso escrito por Emily Perl
Knisley. Frequentemente solicitada a descrever a prova de dar à luz uma criança
com deficiência, numa tentativa de ajudar quem não compartilha desta experiência
a entendê-la, esta mãe escreveu um texto único que, na minha modesta opinião,
descreve na perfeição o avassalador choque que nos atinge ao sabermos que o
nosso filho é, e vai ser sempre, diferente dos outros.
Nas
palavras desta mãe, seria como...
Ter um bebé é como
planear uma fabulosa viagem de férias a Itália! Compras montes de guias, fazes
planos maravilhosos. O Coliseu, o David de Michelangelo, as gôndolas de Veneza…
Podes aprender algumas frases simples em italiano e é tudo muito excitante.
Após meses de
antecipação, finalmente chega o grande dia. Arrumas as malas, embarcas e, algumas
horas depois, ao aterrares o comandante diz: - "Bem-vindos à
HOLANDA!"
"HOLANDA!?! "
dizes tu – "Como Holanda?? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à
Itália. Toda minha vida sonhei em conhecer a Itália".
Mas houve uma mudança no
plano de voo. Eles aterraram na Holanda e é lá que deves ficar.
O mais importante é que
não te levaram para um lugar horrível, desagradável, cheio de pestilência, fome
e doenças. É apenas um lugar diferente. Logo, deves sair, comprar novos guias e
aprender uma nova linguagem. Vais encontrar todo um novo grupo de pessoas que até
então não conhecias. É apenas um lugar diferente, menos ensolarado que a
Itália. Após algum tempo podes respirar fundo, olhar ao redor e começar a notar
que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrandts e Van Goghs.
Mas, todos os que
conheces estarão ocupados a ir e vir da Itália e comentarão contigo sobre o
tempo maravilhoso que por lá passaram. E tu pensarás: "Sim, era lá que eu
deveria estar. Era tudo o que eu tinha planeado." E a dor que isso te causará
nunca, nunca irá passar... porque a perda desse sonho é uma perda extremamente
significativa.
Porém...
se passares a tua vida toda a remoer no facto de não teres chegado a Itália,
nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais... da
Holanda.
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