terça-feira, 23 de abril de 2013

Experiência [quase] religiosa





Sábado passado foi Dia de Acção de Graças, um dia comemorado nos EUA, mas não por cá. De qualquer modo, é um dia religioso e como o filhote está no primeiro ano da catequese achei que seria uma boa justificação para começar a ir à missa. Passei o dia a motivá-lo, a explicar-lhe como seria, como se devia comportar, enfim, entramos em modo de preparação completa.

Às 19 horas, chegamos à igreja e a missa não era lá! Como se tratava de uma homenagem aos meninos da catequese estavam cerca de 300 pessoas, portanto, toca de nos deslocarmos para o auditório do Centro Paroquial onde nos esperava casa cheia. Da catequista do “piqueno”, nem sinal, logo, ficou fora de questão deixá-lo, sem vigilância, junto dos outros meninos [até porque quando tentei, tratou logo de subir para o altar para cumprimentar o padre, que por essa altura já tinha começado a homilia, mas chatear-me porquê, afinal só tínhamos 300 pessoas a olhar para nós!].

Depois de 2 minutos no exterior para acalmar, voltámos a tentar e tenho a dizer-vos que fiquei surpreendida, o rapaz conseguiu ficar quieto durante 10 minutos [pena que a missa não demore apenas 10 minutos]. Findo este breve período de tempo, regressa a agitação. De volta às estratégias para o manter quieto, saco da minha agenda e de uma caneta e começo a fazer desenhos. Resultou… mais 10 minutos… quando já pensava que se calhar já chegava para primeira experiência ele volta a acalmar e fica a ouvir o padre.

Foi então que a coisa se complicou… No silêncio da homilia ouço uma voz familiar ao meu lado, no seu normal tom esganiçado [30% acima do permitido por lei]: “Mamã, Jesus morreu?”. Cento e cinquenta cabeças voltaram-se para nós. “Sim, amor” respondi eu baixinho [pensando que a conversa ficava por aí], ao que o puto “volta à carga” para toda a assembleia ouvir: “A sério, mamã???? Porquê?”.
 
Bom, vejamos a situação pelo lado positivo: assistimos a metade da missa pelo que na próxima semana, com menos gente, numa missa normal, vai ser mais fácil e… divertimos uma audiência de 300 pessoas. Quantos de vocês tiveram um fim-de-semana tão proveitoso?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

E o sol voltou a brilhar…





Não tenho aqui escrito nada ultimamente porque sentia uma espécie de nuvem muito escura sobre a minha cabeça e, como já vos disse antes, não quero tornar este blog num espaço sombrio, porque eu não sou assim.

Para que tenham uma ideia… A minha casa precisa urgentemente de ser pintada, metade dos meus electrodomésticos estão a deixar de funcionar, o puto precisa de óculos novos e de ir ao dentista e a minha conta bancária é mais assustadora do que um filme de terror.

A juntar a tudo isto, ouço gritos do miúdo logo pela manhã [primeiro porque não se quer vestir, depois porque não quer tomar o pequeno almoço e finalmente porque não lhe apetece sair de casa] e ao final do dia [porque quer ficar na escola]. Chegamos a casa e, claro está, a algazarra continua até ir para a cama. Não sei como, adquiriu a convicção de que todos os motivos são bons para gritar e, até esta fase passar, gritos é o que teremos. A lista dos meus aborrecimentos parece infindável, mas chega de me lamentar…

Na semana passada falaram-me de um blog que conta a história da luta de uma jovem, de cerca de trinta anos, contra um cancro que a acabou por matar. Durante três anos, a Silvina [que afinal se chamava Rita] expõe, na primeira pessoa, todas as batalhas que travou, todos os medos, expectativas e esperanças que sentiu. Lemos post após post dominados pelo conhecimento prévio de que ela perdeu a batalha.

Confesso que me sinto um pouco sinistra ao dizê-lo, mas a cada frase que lia me sentia mais convicta de que a desgraça dos outros, por vezes, nos consegue animar. Se não vejamos: tenho uma saúde de ferro e o meu filho também. Nem sequer me lembro da última vez em que estive doente, acho que nunca tive sequer uma gripe, ele há cinco anos que não adoece. Sou imune a todo o tipo de vírus, inclusive os mais improváveis, como o dengue ou a tuberculose. O meu metabolismo é de tal forma acelerado que, apesar de não ter cuidados extraordinários, tenho um nível médio de massa gorda de 6%. As nossas análises estão sempre tão perfeitas que, na maioria das vezes, nos mandam repetir suspeitando de algum erro.
Tenho um filho muito inteligente e que, gritos à parte, é uma pessoa linda, capaz de cativar todos os que se dão ao trabalho de o conhecer. É uma criança tão carismática que quando andava no infantário, e necessitava de mais vigilância, os outros meninos [especialmente as meninas] guerreavam entre si para tomarem conta dele. Em resumo e sem mais divagações, estamos vivos, juntos e somos super saudáveis!
 
Achamos sempre que a nossa vida é uma confusão, até olharmos em volta e nos deparamos com vidas realmente complicadas, com situações indescritíveis. Mesmo quando estamos no limite faz-nos bem verificar que alguém já o passou, só então percebemos a sorte que temos! Portanto, estou de volta e este vai ser um dia luminoso!


sexta-feira, 19 de abril de 2013

No jardim do "meu" Palácio...

 
Pois que o meu Palácio tem, como podem ver, um belo de um jardim, do qual pretendo usufruir MUITO este Verão.



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Bem-vindos à Holanda


 
Não posso deixar de partilhar com vocês um texto maravilhoso escrito por Emily Perl Knisley. Frequentemente solicitada a descrever a prova de dar à luz uma criança com deficiência, numa tentativa de ajudar quem não compartilha desta experiência a entendê-la, esta mãe escreveu um texto único que, na minha modesta opinião, descreve na perfeição o avassalador choque que nos atinge ao sabermos que o nosso filho é, e vai ser sempre, diferente dos outros.

Nas palavras desta mãe, seria como...

Ter um bebé é como planear uma fabulosa viagem de férias a Itália! Compras montes de guias, fazes planos maravilhosos. O Coliseu, o David de Michelangelo, as gôndolas de Veneza… Podes aprender algumas frases simples em italiano e é tudo muito excitante.

Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia. Arrumas as malas, embarcas e, algumas horas depois, ao aterrares o comandante diz: - "Bem-vindos à HOLANDA!"

"HOLANDA!?! " dizes tu – "Como Holanda?? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda minha vida sonhei em conhecer a Itália".

Mas houve uma mudança no plano de voo. Eles aterraram na Holanda e é lá que deves ficar.

O mais importante é que não te levaram para um lugar horrível, desagradável, cheio de pestilência, fome e doenças. É apenas um lugar diferente. Logo, deves sair, comprar novos guias e aprender uma nova linguagem. Vais encontrar todo um novo grupo de pessoas que até então não conhecias. É apenas um lugar diferente, menos ensolarado que a Itália. Após algum tempo podes respirar fundo, olhar ao redor e começar a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrandts e Van Goghs.

Mas, todos os que conheces estarão ocupados a ir e vir da Itália e comentarão contigo sobre o tempo maravilhoso que por lá passaram. E tu pensarás: "Sim, era lá que eu deveria estar. Era tudo o que eu tinha planeado." E a dor que isso te causará nunca, nunca irá passar... porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.
 
Porém... se passares a tua vida toda a remoer no facto de não teres chegado a Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais... da Holanda.