sábado, 30 de março de 2013

You think you know me? Think again.


Não me comovo com finais de filmes ou de livros. Nunca ouvi uma canção que me fizesse chorar. Isto faz de mim uma aberração? Porque quando o digo a alguém, inevitavelmente, o olhar de incredulidade que recebo de volta, é assim que me faz sentir. Não sou insensível, como todos parecem pensar, simplesmente, o que me comove é…

… alguém não ter onde morar e viver na rua… o vizinho do 3.º andar ter de mendigar todos os dias para se alimentar… o meu filho, apesar de ser dos melhores alunos da turma, nunca ter estado no quadro de honra, por ser deficiente... amigos falsos… alguém, que trabalhou toda a vida, ter de depender da família para sobreviver, porque tem uma reforma miserável… um pai que perde o filho ou um filho de perde o pai… uma mãe, que atinge tal nível de desespero, que mata os filhos e se suicida… o meu filhote gritar de frustração porque não consegue desenhar um porco…

E a lista continua. Posso mencionar-vos mil itens que me poderão fazer chorar, mas entre eles não vão encontrar nenhum filme ou canção. O que me emociona é a realidade. Isso faz de mim uma anomalia?

domingo, 24 de março de 2013

As 50 Sombras


 
Não me advogo crítica literária, mas leio muito, por isso, é inevitável que vos fale dos livros que leio. Li recentemente a trilogia de “As 50 Sombras” e tenho-vos a dizer que esta leitura foi, no mínimo, intrigante.
 

Porque apesar de estar muitíssimo mal escrito…
Tive que ler alguns parágrafos por duas ou três vezes para tentar perceber o que a autora queria dizer. Certos diálogos são surreais, outros incompreensíveis. As cenas de sexos {descritivas até à exaustão} repetem-se em looping, com poucas variações de conteúdo, ao longo das quase 3000 páginas da saga. Lê-se a primeira, saltam-se as restantes… Em suma, uma lástima.
 
Da história ser do mais lamechas e previsível que se possa imaginar…
Rapaz indescritivelmente belo conhece rapariga linda de morrer {e virgem, claro!}, apaixonam-se, ele revela-se um pervertido, ela tenta mudá-lo, mas acaba por gostar e vivem felizes para sempre. Muitas dúvidas, numerosos obstáculos, mas no final, previsivelmente, tudo acaba bem! Enfim, uma versão hardcore da saga Crepúsculo {da qual, por acaso, até gostei bastante}.
 
É completamente viciante!
Comecei a ler e senti-me, desde logo, presa numa espécie de teia que me algemou {!!} até ao final da história. Li as quase 3000 páginas que compõem a trilogia como se de um vício se tratasse. E sendo esta saga é um bestseller mundial, parece-me que não fui a única a encontrar-lhe algum mérito. Vá-se lá entender porquê!



sábado, 23 de março de 2013

A Carta aos 19% de Ricardo Araújo Pereira


Não sou uma pessoa invejosa, juro que não! Não invejo a vida ou a felicidade a ninguém, mas confesso que gostava de ter metade da graça e do humor do Ricardo Araújo Pereira, de quem sou fã incondicional. A última crónica dele para a  revista Visão está simplesmente genial, por isso não resisti a "roubá-la" a outro blog (Entre as Brumas da Memória)... Para aceder cliquem aqui.

Medicação necessária



Ao falar de deficiência é inevitável abordar a questão da medicação e dos efeitos nefastos que esta pode ter no desenvolvimento das crianças. A saúde não é a minha área, pelo que não vos posso transmitir conhecimentos científicos sobre o assunto, apenas a minha {vasta} experiência como mãe de um menino que sempre dependeu de medicamentos para conseguir funcionar.
 
É habitual que as perturbações do espectro do Autismo, tenham associada a epilepsia, pelo menos até aos 4 anos de idade, altura em que as ligações no cérebro são concluídas e as convulsões, normalmente, cessam. Exactamente por isso o meu filho tomou, desde os 18 meses, diversos medicamentos com contra-indicações e efeitos secundários gravíssimos. Foi-lhe prescrito Fenitoina, Depakine, Topamax, Keppra, Risperdal, sempre de uma forma experimental e nem sempre nas combinações e/ou quantidades mais eficazes.
 
Quando deixou de necessitar desta medicação, começou outra para a hiperactividade, igualmente como efeitos secundários e sempre numa base experimental. Já tomou o Rubifen, o Concerta, a Ritalina LA e neste momento voltou ao Rubifen.
 
Entendo que a medicação seja necessária, apesar das contra-indicações, no caso das convulsões podia mesmo correr risco de vida se não a tomasse. Reconheço, igualmente, que na maioria dos casos a medicação é de facto eficaz e que os benefícios suplantam os efeitos adversos. Também não contesto a necessidade de experimentar, admito que seja necessário testar até obter a combinação e dosagem adequadas. Perturbações como a hiperactividade são causadas por alterações químicas ao nível do cérebro e claro que não queremos que recolham amostras no cérebro dos nossos filhos para determinar qual a substância em excesso ou em falta…
 
Agora aceito, mas nem sempre foi assim. Se não houve lugar para dúvidas em relação aos anti-convulsionantes {por causa da epilepsia}, o mesmo não aconteceu com os estimulantes {para a hiperactividade}. Em grande parte dominada pelo preconceito que envolve a administração deste tipo de medicação e o rótulo de mal-educados com que a sociedade classifica os hiperactivos, durante algum tempo deixei-me influenciar e resisti a medicar o meu filho. A falta de acompanhamento por parte dos médicos quando prescrevem este tipo de medicação {da qual já tinha a experiência por causa da epilepsia}, também não me ajudou a decidir. Sabem, com certeza daquilo que estou a falar…
 
Valeram-me muitas horas de pesquisa na internet e os conselhos do pediatra, dos educadores e dos terapeutas que o acompanham. Acabei por decidir experimentar e não me arrependo! Actualmente o meu filhote está no 2.º ano e tem feito todas as aquisições esperadas, à excepção da matemática que exige um raciocínio abstracto que ele ainda não desenvolveu. Aprendeu a ler e a escrever ao mesmo tempo que os colegas da sala do ensino regular e é bastante bom em estudo do meio. Mas apenas porque está medicado, não tenho qualquer dúvida que tal só foi possível graças ao Rubifen.
 
Claro que há efeitos secundários, como a falta de apetite {quase crónica} e o agravamento da hiperactividade após o período de acção do medicamento, mas acredito que fiz o que era melhor para ele, contribuindo de forma decisiva para que obtenha o máximo de autonomia e funcionalidade. Além disso, o bem-estar e a felicidade do meu filho estão sempre em primeiro lugar!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Hoje começa a Primavera… no hemisfério norte!






No hemisfério norte a Primavera tem o nome de “boreal" e no sul de “austral". A nossa Primavera {a boreal} começa hoje e termina em 21 de Junho, ou seja, inicia-se no equinócio de Março e termina no solstício de Junho. No dia do equinócio {hoje} o dia e a noite têm a mesma duração. E, a partir de agora, a cada dia que passa, gradualmente o dia aumenta e a noite diminui, aumentando, deste modo, a insolação do hemisfério norte.

Mas chega de ciência… ontem foi pela primeira vez celebrado o Dia Internacional da Felicidade, hoje começa a Primavera e, a partir de amanhã os períodos diários de sol vão gradualmente aumentar. Portanto, temos ou não motivos para estar felizes?

As imbecilidades que fazemos por instinto!

 
 


Fiz uma coisa verdadeiramente estúpida. Ainda não estou em mim! Vi-me numa situação, completamente fora de contexto, e por instinto reagi da pior forma possível, pondo a minha vida em risco para ajudar um desconhecido. Mas não vou começar a divagar, sem conhecerem os factos não podem avaliar a dimensão da asneira que cometi…

Ontem ao final da tarde, andava eu a correr no bosque perto da minha casa, quando me deparo com outro “atleta” quase a ser atacado por um enorme cão, que me pareceu {porque eu não percebo nada de cães} um pitbull. O homem, assustadíssimo, saltitava em frente ao cão. O animal, que devia ter o dobro do meu peso, ladrava e rosnava de raiva. Um cenário dantesco!
 
E perguntam vocês: O que fiz eu? Afastei-me? Não. Pedi ajuda? Claro que não. Tentei, pelo menos, proteger-me do cão? Obviamente que não! Pois aqui a “iluminada” posicionou-se entre o homem e a bicheza! {Leram bem: eu atirei-me para a frente do cão…} Disse ao sujeito para se manter atrás de mim e não fazer movimentos bruscos, como se de uma entendida me tratasse, e fiquei estúpida {nunca é de mais repetir: estúpida} a mirar o bicho. Não sei o que me passou pela cabeça, ou melhor, acho que até sei, o meu cérebro deve ter parado momentaneamente… Eu não tenho medo de cães {mesmo numa situação como aquela}, mas está-me a parecer que desta vez me excedi!
 
Disseram-me uma vez que os animais conseguem “cheirar” o nosso medo através de uma glândula que segregamos quando o sentimos. Em alguns animais, nomeadamente nos cães, esse medo pode desencadear um instinto de defesa e eles atacam. Deve ser verdade, porque ele olhou para mim, parou de ladrar e foi-se embora.
Não estou em mim! Como é que me pude por em perigo desta maneira? Eu tenho responsabilidades. O meu filho só me tem a mim! E fazê-lo por alguém que nem conheço, que acho que nem vou reconhecer se voltar a encontrar.
 
Ontem fiz uma coisa verdadeiramente estúpida. E o mais grave é que se hoje fosse colocada perante um cenário semelhante, mesmo tendo consciência da imbecilidade do acto, sei que reagiria de forma idêntica, porque sou demasiado instintiva, sempre fui. Ajo primeiro, penso depois…


quarta-feira, 20 de março de 2013

O meu imenso lado lunar

 
 
Escrever este blog tem-me demonstrado que tenho um lado lunar {leia-se sombrio} mais extenso do que aquilo que eu julgava. Ao pensar em temas para escrever, os mais negros são aqueles que me ocorrem mais prontamente. Por mais positividade que tente imprimir naquilo que redigo, aqui e ali vão surgindo pequenas “nódoas”, posts que, por vezes, nem eu consigo entender muito bem como surgiram.

Consequência talvez de lidar diariamente com uma criança diferente, que me leva todos os dias ao limite da exaustão. Sei que os pais especiais me conseguem entender, quando aos restantes, é difícil explicar...

Há momentos em que as sombras tomam conta de tudo e, por mais que me esforce, não consigo ver luz em lado nenhum. Momentos em que me sinto esmagada pelas dúvidas, em que o facto de saber que vai ser sempre assim, que nunca vai melhorar, me conduz a níveis inimagináveis de desespero. Instantes em que tudo se torna difuso e sufocante. Às vezes esses momentos enredam-se e eu levo algum tempo a “desfiar” a meada que formam.

Vale-me o optimismo, a capacidade de me agarrar a uma réstia de luz e fazer nascer o sol. E então sinto-me indestrutível…

Festa do Dia do Pai!


Minhas senhoras, se forem a uma festa dirigida a pais {e não a mães} há 4 aspectos a que devem sempre {mas mesmo, SEMPRE!} atender:

1.   Não se devem esquecer nunca de ir munidas de tampões para os ouvidos {se 50 crianças excitadas fazem muito barulho, imaginem lá o ruído ensurdecedor que conseguem fazer 100…};

2.   Não coloquem maquilhagem {não é compatível com esguichos de água e o nosso aspectos acaba por ficar… vá, um pouco estranho};

3.   Também não se atrevam de levar saltos altos {não são, de modo algum, prático para actividades ditas masculinas, como o futebol humano};

4.   E o conselho mais importante que vos dou, não devem nunca {mas mesmo, NUNCA!} pensar em usar vestido ou saia {porque se caírem, acabam por mostrar mais do que aquilo que desejam!}.

terça-feira, 19 de março de 2013

Festa de Aniversário


No Sábado passado o meu filhote foi pela primeira vez sozinho à Festa de Aniversário de um coleguinha da escola. Como já vos disse ele tem autismo e hiperactividade, pelo que sempre que era convidado para uma festa levava o “emplastro” {leia-se a mãe} atrás, munida de brinquedos diversos, muitas mudas de roupa e um stock {quase} ilimitado de paciência.

Desta vez foi diferente e quando perguntei à mãe do aniversariante se queria que eu ficasse {questão de praxe, porque a resposta é sempre positiva} foi-me dito: não é necessário, pedi reforços familiares. Rejubilei {três inesperadas horas só para mim!}.

Confesso que pensei que a coisa fosse correr mal quando me questionou sobre se teria alguma recomendação a fazer e eu comecei a debitar um longo rol {fichas eléctricas, crianças pequenas, janelas, objectos cortantes, torneiras, óculos, fugas, …}, mas ela não desarmou!

Deixar o meu filho, num r/c com as janelas todas abertas e cerca de 20 putos em efervescência, não foi fácil, mas “ele já tem 8 anos e eu vou ter 3 horas de folga!” {pensei eu}. Pois, mas pensei mal! Ao fim de uma hora já a destemida senhora me estava a ligar a pedir socorro. Ao chegar deparei-me com 20 petizes aterrorizados e uma casa parcialmente destruída {Maldição!}. Bom, valeu pela minha hora de descanso e pela experiência nova para o puto {que tão cedo não se voltará a repetir!}.

Dia do Pai

 
 
Uma das vantagens de ser mãe e pai em simultâneo, é que não comemoro a maternidade apenas um dia por ano {no Dia da Mãe}, mas sim duas {no Dia da Mãe e no Dia do Pai}. Quantos de vocês se podem gabar de receber anualmente dois presentes manufacturados pelo cachopo e assistir a festividades escolares, dedicadas a vocês e cuidadosamente preparadas, na mesma quantidade?
 

segunda-feira, 18 de março de 2013

As palavras que nunca te direi...


"Se eu te pudesse dizer o que nunca te direi!
Tu terias que entender aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa


Já vos aconteceu quererem muito dizer algo a uma pessoa, mas não o fazerem por recearem ser mal interpretados? Pois é exactamente como me sinto há já algum tempo. Então tive uma epifania e pensei: Bolas, mas afinal eu tenho um blog para quê? Não é para isto que serve este espaço? Para falar sem inibições, sem receio de ser julgada, mal avaliada? Sem precisar de pesar as palavras? De me conter? É claro que sim! Por isso, cá vai…

Disse-vos há dias que li um livro arrebatador, no qual reconheci cada data, cada sítio, cada sensação e ainda hoje não sei explicar a impressão que me deixou. Recordam-se, não é verdade? Pois, o que eu não vos contei é que conheço pessoalmente o autor desse livro!

Não quero com isto dizer que sejamos grandes amigos e que vivemos juntos a história que ele escreveu, na verdade só o fiquei a conhecer realmente depois de a ler. Até então ele era apenas um conhecido de longa data, apenas isso: alguém que encontrei há quase 20 anos e que revia com pouca regularidade {e nenhuma intimidade}. Idades próximas, alguns amigos comuns e a viver na mesma {pequena} comunidade. Apenas isso!

Soube, há algum tempo, que ele tinha escrito um livro e, por alto, a história {verídica} que contava. Exactamente por conhecer o seu teor, resisti muito a lê-lo. Parecia uma história tristonha, sobre perda, dor e saudade, e este tipo de narrativa deixa-me sempre com uma sensação de vazio e de impotência contra o inevitável.

Descobri, também, que tem um blog, comecei a visitá-lo e verifiquei que ele escreve divinalmente bem… Cada palavra que redige, cada frase que compõe, parece tocar-nos directamente na alma… Recolhi pedacinhos soltos da história, mas como os captava desenquadrados do todo, pareciam-me monótonos e sombrios. A minha aversão pelo livro crescia e, em proporção paralela, a minha curiosidade aumentava.

Mas deixemo-nos de preâmbulos, pois como já sabem, acabei por lê-lo! Bom, “lê-lo” talvez não seja a palavra mais acertada, porque eu, literalmente, devorei 200 páginas em poucas horas. Simplesmente, não consegui parar…

O que vos posso dizer? Não se trata de um livro “comercial” capaz de se tornar num bestseller, não porque esteja mal escrito, mas porque a história é extraordinariamente pessoal. Talvez por conhecer quem a escreveu e saber tratar-se de uma história verídica, a leitura foi ainda mais brutal do que inicialmente imaginei, mais forte do que tudo o que li até agora.

Vale pela forma dissimulada {sem sentido pejorativo} como o autor nos revela os seus sentimentos e se expõe a si próprio. Nunca, em tempo algum, será possível, unicamente através de uma conversa com ele, captar a sua intensidade e a clareza da sua alma. Já ouvi, inclusive, compararem-no com uma espécie de Apolo de pedra {porque ele é, simplesmente, LINDO DE MORRER}. Lindo por fora, oco por dentro! É assim que o vê quem o conhece mal. Era assim que eu o via antes de ler o que ele escreveu. Na verdade, ele é… sincero, leal, simples, preocupado, arrebatado, apaixonado, inteligente, sensível e, sobretudo, é a única pessoa que conheço capaz de deixar uma marca impressa, de forma definitiva, na alma de quem o ouve com atenção…

Confesso que esta constatação me deixou inquieta, porque me recordou o pouco esforço que fazemos para realmente conhecer os outros e das oportunidades que perdemos por agir assim. Rodeamo-nos de pessoas vazias com quem só podemos contar nos momentos bons e rejeitamos aqueles que não entendemos com facilidade, pela sua profundidade, e que nos poderiam realmente valer quando necessitamos de apoio. E falo com conhecimento de causa, porque perdi a conta ao número de pessoas que desapareceram da minha vida ao saberem que o meu filho era diferente das outras crianças…

Deixou-me, também, muito confusa, num vórtice de emoções contraditórias, de dúvidas e com uma crescente impressão de urgência e perplexidade. Sentia-me apaixonada por uma fantasia. Para que me entendam melhor, vou explicar de outra forma: Sempre consegui ver a minha vida como um mapa. Cada causa, cada efeito. Sempre percebi, com clareza, o peso de cada escolha para chegar onde estou. Com este livro divisei, pela primeira vez, a interligação de todos os acontecimentos do meu “mapa” e compreendi que tinha desperdiçado demasiado tempo com trivialidades, sem nunca me deter naquilo que é realmente importante, e agora era demasiado tarde. Esta constatação deixou-me triste e desanimada, pela primeira vez em muito tempo.

Então, perguntei a mim mesma: Porque tem esta prova que ser diferente se eu já sobrevivi a dúvidas bem mais inquietantes? Simplesmente, não tem que ser diferente.

Como sou uma pessoa optimista por natureza, agarrei-me a uma réstia de luz e então consegui ver, com toda a clareza, aquilo que a vida me queria mostrar… Antes de mais, deixem-me que vos diga que descobri que tenho uma capacidade {quase sobrenatural} de transformar a escuridão em claridade. Uma espécie de dom que me permite retirar de todas as situações, até das mais negras, uma lição. Absorvo todos os ensinamentos, mesmo quando testada até ao limite, e diviso em todas as experiências um conhecimento que me fica gravado na alma de forma indelével. Viver é aprender e nunca é demasiado tarde para fazê-lo! A simplicidade desta constatação é esmagadora. E, não posso deixar de pensar, que teria conseguido chegar lá sozinha, se tivesse prestado mais atenção aos sinais, se tivesse aberto mais cedo o meu coração.

Ao iniciar este post disse que pretendia transmitir algo a alguém. Portanto, este post destina-se apenas a um leitor, o escritor do livro que me proporcionou uma viagem ao centro de mim própria e a quem enviei um comentário {muito filtrado} que não faz jus a tudo o que gostaria de lhe dizer. Muito obrigada simplesmente por existires! Se não o alcançar, não faz mal, as almas não precisam de ouvir! Eu posso partilhar, mesmo sem reciprocidade, e esperar ser compreendida…

quinta-feira, 14 de março de 2013

Tangerinas


Aviso-vos que o vídeo que se segue é extremamente ordinário, mas também é, simplesmente, HILARIANTE. Portanto, se tiverem coragem, sentem-se no vosso sofá com o vosso/a companheiro/a, cliquem aqui e riam. Riam muito, porque rir faz bem e, pelos vistos, as tangerinas também…

O que me faz feliz...




Acordar tarde.
Comer bolachas de aveia.
Passear na praia no Inverno.
Trabalhar naquilo que gosto.
Apanhar sol.
Ver The Walking Dead.
Ter uma boa notícia.
Passar o dia em pijama.
Comer marshmallows.
Ler um livro interessante.
Ser desafiada.
Ver o meu filho dormir.
Calçar galochas.
Cumprir objectivos.
Adormecer no sofá.
Poder ajudar os outros.
Passar o fim-de-semana de havaianas nos pés.
Ser saudável.
Ter alguém por perto quando preciso de falar.
Cometer erros.
Dormir com a consciência tranquila.

Como vêm não preciso de muito para ser feliz! E vocês?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Educação pouco inclusiva


De acordo com a Declaração de Salamanca {assinada em 1994} “O princípio fundamental das escolas inclusivas consiste em todos os alunos aprenderem juntos, sempre que possível, independentemente das dificuldades e das diferenças que apresentem. Estas escolas devem reconhecer e satisfazer as necessidades diversas dos seus alunos, adaptando-se aos vários estilos e ritmos de aprendizagem, de modo a garantir um bom nível de educação para todos, através de currículos adequados, de uma boa organização escolar, de estratégias pedagógicas, de utilização de recursos e de uma cooperação com as várias comunidades. É preciso, portanto, um conjunto de apoios e serviços para satisfazer as necessidades especiais dentro da escola.

Desta afirmação advém que as escolas devem estar preparadas para acolher TODAS AS CRIANÇAS, independentemente das suas condições físicas, intelectuais, sociais, ou outras, e devem fazê-lo:

  • Garantindo a igualdade no acesso;
  • Promovendo projectos educativos potenciadores da inclusão, da igualdade e da cidadania;
  • Envolvendo não apenas os alunos, mas também as suas famílias;
  • Promovendo um sistema de apoios que potencie as competências tendo sempre em conta a diversidade dos alunos;
  • Criando condições à participação de todos nas actividades curriculares e extra-curriculares;
  • Potenciando os processos de ensino e de aprendizagem, através da mobilização de todos os recursos da escola e da comunidade.

Não vos parece básico? E sabem porquê? Porque na verdade é bastante simples! E em muitos países, o movimento iniciado pela Declaração de Salamanca ditou uma reestruturação profunda na área da educação, tornando o sistema mais flexível, menos dispendioso e capaz de integrar todos alunos.

Em Portugal, no entanto, não se registou nenhum impacto digno de nota, unicamente a publicação de algumas medidas normativas dispersas que não responderam, de modo algum, aos desafios lançados pela ONU. E, apenas em 2008, CATORZE ANOS DEPOIS da assinatura da Declaração de Salamanca, é aprovado o Decreto-Lei que regulamenta a organização e o funcionamento do novo sistema de educação inclusiva {o Decreto-Lei n.º 3/2008 de 7 de Janeiro}.

Este normativo está simplesmente perfeito: Cria unidade de ensino estruturado destinadas a apoiar a integração de crianças com incapacidades específicas, prevê a participação dos pais e das famílias em todos os momentos, flexibiliza os currículos e prevê adequações nos métodos de ensino e de avaliação, regulamenta o sistema de apoios, acaba com as Escolas {guetos} Especiais e prevê a sua reconversão em centros de recursos, … Numa palavra, é irrepreensível.

Pena que por cá não seja exigível o cumprimento da lei e se dê abertura para que, o próprio Ministério que a propôs, a contorne de forma criminosa, escudado sempre pela velha desculpa da falta de recursos.

O meu filho tem autismo, está integrado numa Unidade de Ensino Estruturado do 1.º Ciclo e tem sido uma guerra {quase diária} para aumentar o número de horas que passa na turma. Tem meia hora semanal de Terapia Ocupacional e uma hora de Terapia da Fala e a única informação que consegui obter sobre estes apoios é que a TO o está a ensinar a lavar os dentes e a promover a diversidade alimentar {e está a ser bastante mal sucedida, porque ao fim de 6 meses de intervenção não faz nem uma coisa nem outras}.

O meu caso não é dos piores {pelo menos por enquanto}, de uma forma ou de outra, sinto que o meu filho não é discriminado e tem feitos muitas aquisições, quer ao nível curricular, quer ao nível social. Sei de situações de crianças que, não sendo recusadas nas escolas, a inscrição é de tal modo dificultada que os pais, desgastados, acabam por ceder. De crianças que passam os dias confinadas às Unidades de Ensino Estruturado que, supostamente, as deveriam integrar nas turmas e que são, por isso, vistas pelos colegas como os “meninos da unidade que vão visitar a sala da turma de vez em quando”. De alunos que têm uma ou duas horas de aulas por dia, de meninos que não vão sequer à escola, porque lá não sabem lidar com eles. De pais que são diariamente chamados à escola pelo “mau comportamento” do filho, … e a lista continua!

De acordo com o Decreto-Lei n.º 3/2008 de 7 de Janeiro “A educação especial tem por objectivos a inclusão educativa e social, o acesso e o sucesso educativo, a autonomia, a estabilidade emocional, bem como a promoção da igualdade de oportunidades, a preparação para o prosseguimento de estudos ou para uma adequada preparação para a vida profissional e para uma transição da escola para o emprego das crianças e dos jovens com necessidades educativas especiais…” {art. 1º}.

Não vos parece simples? Porque é simples: Inclusão educativa e social, acesso, estabilidade, igualdade de oportunidade, preparação para o prosseguimento dos estudos e para a vida profissional, transição, … Foram eles que escreveram! Foram eles que aprovaram! Cinco anos depois, vamos continuar a aceitar desculpas para adiar o futuro dos nossos filhos? Parece-me claro que está nas nossas mãos exigir que a lei seja cumprida! Está nas nossas mãos impor que honrem os compromissos que assumiram connosco e com os nossos filhos!

Pareço doida? Revolucionária? Costumo ser uma pessoa normal, mas não se esqueçam que este é o meu lado lunar e hoje eu estou bastante zangada!

A desilusão...


Ontem cheguei a casa às 18 horas e:

1.       Apanhei a roupa seca do estendal;

2.       Alimentei o gato e tratei da sua “higiene”;

3.       Fui buscar o puto à escola;

4.       Dei-lhe banho {que demorou cerca de 20 minutos, porque ele precisa de 5 minutos para ser convencido a entrar na banheira e 10 minutos a ser persuadido a sair};

5.       Ajudei o cachopo com os trabalhos de casa;

6.       Fiz o nosso jantar e o jantar de um vizinho que, por causa da crise, está sem luz e sem gás;

7.       Lavei a louça e arrumei a cozinha;

8.       Desenhei-me a mim, ao puto, ao Ruca, à Rosita, aos amigos do Ruca, aos pais e aos avós do Ruca, ao nosso gato e ao cão que não temos {porque o meu filho não gosta de desenhar, mas sim de me ver a mim fazê-lo};

9.       Pus a mesa para o pequeno-almoço;

10.    Preparei os lanches para a escola do miúdo;

11.    Escolhi e preparei a nossa indumentária para hoje;

12.    Vi cerca de 10 episódios do Ruca {ou melhor, vi o mesmo episódio cerca de 10 vezes};

13.    Deitei o miúdo…

Tudo isto acompanhado pelos gritos regulares do cachopo com um nível de decibéis cerca de 30% acima do permitido por lei, porque falar não é com ele … {Ele: Mamã, fazes-me um desenho? Eu: Agora não posso, querido. Ele: MAS EU QUERO! Ele: Mamã, jogas computador comigo? Eu: Agora não posso, amor. Ele: MAS EU QUERO!} … e esperar também não …

Quando terminei estava tão cansada que até tinha os ouvidos entupidos, mas sentia-me a super-mulher. Às 22:20 estava prontamente sentada no sofá sintonizada na FOX. E tudo isto para quê? Para descobrir que ontem não era 4.ª feira, mas sim 3.ª feira, portanto, ontem NÃO ERA DIA DE “THE WALKING DEAD”! {Maldição!}

Resta-me a consolação de que hoje vou repetir tudo novamente, mas no final assistirei à minha série favorita. Tenho ou não uma vida animada?

segunda-feira, 11 de março de 2013

Felicidade #2


 

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.

Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!

Se perceber que precisa seguir, siga!

Se estiver tudo errado, comece novamente.

Se estiver tudo certo, continue.

Se sentir saudades, mate-as.

Se perder um amor, não se perca!

Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa

 

Felicidade #1


 
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um “não”.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

Fernando Pessoa

sexta-feira, 8 de março de 2013

O que é que o meu filho mudou na minha vida? Mudou tudo!


O que é que o meu filho mudou na minha vida? Mudou tudo... A mudança foi gradual, começou quando tive que ficar hospitalizada, ao 5.º mês de gravidez, e aí permaneci 10 semanas. Foi uma experiência única, porque durante este longo período, permaneci deitada, concentrada apenas no meu filho, e sabia sempre como se estava a sentir, em que posição estava,… Foi sem dúvida neste período que a nossa relação se tornou tão forte.

A mudança continuou quando regressei para casa sozinha com uma criança prematura, que com um mês pesava menos de 2 quilos. E ficou quase completa quando, aos 18 meses, soube que o meu filhote era diferente e ia ser sempre diferente.

Nos anos seguintes “inundei-o” de terapias e levei-o a consultas de mil especialidades diferentes. Achei sempre que, mais tarde ou mais cedo, se ia fazer um clic, ele ia ter um salto de desenvolvimento e tudo ia ficar bem. Nunca pensei no meu filho como tendo uma deficiência e, por isso, exigi sempre muito dele

A rotação na minha vida ficou completa quando, há três anos, alguém mencionou a palavra Autismo. Ficou tudo explicado: o porquê das birras, da agressividade, da hiperactividade, das brincadeiras sem nexo,…

Se eu pensar em mim própria há 8 anos, nada é igual. Passei de uma fase em que me anulei completamente para outra em que voltei a preocupar-me comigo de um modo diferente. Problemas que antes me tiravam o sono, hoje parecem-me não ter qualquer importância. Não só passei a relativizar quase tudo, como me parece que as soluções de todo o tipo de problemas, que antes me atormentavam, são mais facilmente alcançáveis. É como se uma parte qualquer do meu cérebro, que antes não funcionava, se tivesse tornado activa. E é engraçado reparar que as pessoas que me conhecem parecem pensar o mesmo e recorrem a mim como se eu fosse uma “iluminada” e pudesse resolver todos os seus problemas…
 
Hoje, se me perguntarem se gostava que o meu filho fosse diferente. Não, não gostava! Se houvesse um interruptor para “desligar” o autismo, eu não o usaria. Se o meu filho não fosse autista, não era o meu filho. E eu adoro-o tal como ele é! E sei que me tornou numa pessoa melhor!