quarta-feira, 18 de setembro de 2013

"NEE: Um mundo numa frase” por David Rodrigues


Ainda a propósito do meu último post
sobre os disparates proferidos pelo Sr. Ministro da Educação e da Ciência, David Rodrigues publicou um artigo no Jornal "O Público", intitulado  “Necessidades Educativas Especiais: Um mundo numa frase” e digno de leitura!

Leiam aqui e divulguem!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ensine-se ao Sr. Ministro o significado de "Inclusivo"


De acordo com entrevista dada pelo Sr. Ministro da Educação, a propósito do início do ano lectivo, os alunos com necessidades educativas especiais, inseridos no ensino regular no âmbito da escola inclusiva, não estão integrados, por motivos administrativos, nas salas de aulas.
Então pergunto eu: O que é que este senhor entenderá por inclusivo?


terça-feira, 10 de setembro de 2013

I’ll be back!


Nos últimos tempos, como já devem ter reparado, cada vez que venho a este espaço e penso em escrever alguma coisa, a vontade passa-me num instante.
Se calhar é do tempo ou da falta dele.
Mas desenganem-se, não se livram de mim tão facilmente. Eu voltarei...

domingo, 30 de junho de 2013

De volta...

Mahatma Gandhi disse um dia que “nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer”. Pois vontade não me falta. Portanto, estou de volta, após um período de silêncio, do qual precisei para preparar a minha vida para o embate que aí vem. Continuo a sentir-me gelada, mas acho que o pior já passou. Reorganizei-me e tenho a certeza que tudo vai correu bem.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A Tempestade Perfeita

 


 

Conhecem a definição de “tempestade perfeita”? Aplica-se ao fenómeno meteorológico causado pelo encontro entre uma massa polar e uma frente muito quente. Quando estas duas colidem provocam uma tempestade, de tal forma atroz, que nada lhe resiste. Momentos antes da colisão respira-se “perfeição”, não há vento, não há frio nem calor, apenas paz. É como se a natureza nos tentasse distrair da tormenta que está a chegar.

Porquê este devaneio? Porque da felicidade que sentia há dois dias não resta nada! As sombras invadiram o meu mundo de forma irreversível. A paz que sentia era apenas prenúncio da maior tempestade que alguma vez me poderia atingir. O enorme sol que me invadiu ofuscou-me e não me permitiu vislumbrar a tempestade imensa que se aproximava.

Uma carta, apenas uma carta, provocou uma reviravolta de 180º na minha vida. Nada vai ser como era antes, nunca mais! Depois do calor do sol, o frio. Sinto um frio imenso. Um frio gelado, como nunca senti antes e que sei que veio para ficar. Estou atordoada, anestesiada, sem energia para a guerra que vou travar. E, sobretudo, confusa. Já vos disse que sempre consegui perceber os actos e as escolhas que me conduziram a determinado ponto, desta vez é diferente, não consigo mesmo atinar com o que me conduziu até aqui.

Se fui baleada, sobrevivi. Se fui abandonada, compreendi que nem todos merecem a minha confiança. Se fui maltratada, aprendi a defender-me. Se conheci o inferno, aprendi a apagar fogo. Eu não sou uma sobrevivente, estou aqui porque posso, porque mereço! Estou aqui porque foi aqui que as minhas escolhas me conduziram! Mas, sinceramente, não compreendo o que fiz para granjear tamanha tempestade.

Resta-me pensar que tenho o meu filho, somos saudáveis e nada pior nos pode acontecer. Resta-me a convicção que sou sobre-humana, invencível, e que ainda não é desta que me deitam abaixo!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Do horizonte sem nuvens...


Sinto-me nas nuvens. Não sei o que se passa comigo, mas do nada [ou do quase nada] veio uma rajada de vento que afastou todas as nuvens do meu mundo. Sinto-me levitar e sorrio todo o dia como uma tola.


Já ouviram falar da lei da atracção? Esta lei diz que os semelhantes se atraem, por isso quando pensamos em algo, atraímos para nós pensamentos semelhantes. Tudo o que é enviado regressa. Pois deve ser verdade, porque o mundo inteiro parece conspirar para me ver feliz.


Reconhecimento, apoio, solidariedade, inundam a minha vida como um sol imenso, capaz de ofuscar todas as sombras, capaz de desmontar todas as dúvidas. Sinto-me indestrutível! 


O que despoletou tamanho turbilhão? Quase nada. Apenas sinais, apenas algumas palavras que me fizeram lembrar o quanto a vida é preciosa.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Plano Municipal para a Deficiência de Oeiras

 
Oeiras aprovou um Plano Municipal para a Deficiência que podem consultar aqui.
 
Em tempos de crise e quando tudo parece retroceder no que se refere à população com deficiência, eis que surge, como uma lufada de ar fresco, uma medida inesperada que nos permite acreditar que afinal ainda há quem nos ouça.
 
Não deixem de ler e divulgar!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Dos fantasmas que teimam em nos atormentar

 
Hoje vi um fantasma. Não me refiro a um espírito de alguém que já morreu. O meu fantasma está bem vivo e são os vivos que devemos temer. Depois de 8 anos já não estava à espera, apanhou-me desprevenida. Passou por mim de carro, buzinou, sorriu e acenou. E seguiu o seu caminho…

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Para a minha melhor amiga!



Quando vos digo que tenho poucos amigos, não quero com isso dizer, que não tenho nenhuns. Aliás, se a deficiência do meu filho serviu para alguma coisa, foi certamente para me mostrar quem são os meus verdadeiros amigos. E entre eles estás tu: a minha melhor amiga!

Este post serve para te dizer que representas tudo aquilo que valorizo, como sendo autêntico, numa amizade. Apesar da distância, apesar dos silêncios, foste a única que estiveste sempre lá, desde o princípio. Se nem sempre pareço valorizar a ti e à nossa longa amizade é por distração, por hábito, porque sei que vais estar sempre lá quando precisar de ti.

Tudo o que aqui poderia dizer não é suficiente para reconhecer o valor daquilo que nos une, nem o quanto gosto de ti. Portanto, pela tua presença, pelo teu amor, pela tua paciência, pelas tuas lágrimas, por não me julgares: MUITO OBRIGADA AMIGA!



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Formulário para a felicidade!


Happiness is not something ready made. It comes from your own actions.
Dalai Lama

Hoje deparei-me com um texto … elucidativo sobre a felicidade. De acordo com a sua autora existem dois espécimes de pessoas: as que escolhem ser felizes e as que optam por ser infelizes. O dito é longo, lamechas, mas não pude deixar de traduzi-lo para partilhar com vocês. Face aos meus últimos [e escassos] posts, parece-se com algo que eu própria poderia ter escrito [adiantando, desde já, que não concordo com a “regra” n.º 15].
Assim sendo, cá vai! Qual é o formulário para a felicidade? É muito simples. As pessoas felizes têm bons hábitos que melhoram as suas vidas. Elas fazem as coisas de forma diferente. Atentem, portanto, às regras que se seguem:
1. Não guardes rancor: As pessoas felizes entendem que é melhor perdoar e esquecer do que deixar seus sentimentos negativos dominarem seus sentimentos positivos. Guardar ressentimento aumenta a ansiedade e o stress. Se esqueceres os rancores, vais poder apreciar as coisas boas da vida.
2. Trata todos com bondade: Sabias que ao realizares um acto altruísta, o teu cérebro produz serotonina, uma hormona que facilita a tensão e eleva o espírito? Tratar as pessoas com amor, dignidade e respeito, também permite que construas relacionamentos mais fortes.
3. Encara os problemas como desafios: A palavra “problema” não faz parte do vocabulário de uma pessoa feliz. Um problema é normalmente visto como uma desvantagem ou como uma situação instável, enquanto que um desafio é tido como algo positivo, como uma oportunidade, uma tarefa. Sempre que enfrentares um obstáculo, tente olhar para ele como se de um desafio se tratasse.
4. Expressa gratidão pelo que já tens: Há um ditado popular que diz: “As pessoas mais felizes não têm o melhor de tudo, elas fazem o melhor de tudo com o que têm”. Terás um sentido mais profundo de contentamento se contares as bênçãos em vez de ansiar para aquilo que não tens.
5. Sonha em grande: As pessoas que têm o hábito de sonhar em grande são mais propensas a realizar os seus objectivos do que aquelas que não o fazem. Se te atreveres a sonhar em grande, a tua mente vai assumir uma atitude mais focada e positiva.
6. Não se preocupe com as pequenas coisas: As pessoas felizes entendem que a vida é demasiado curta para despender energia com situações triviais ao invés de desfrutar das coisas mais importantes na vida.
7. Fala bem dos outros: Dizer coisas agradáveis sobre as outras pessoas encoraja-te a pensar positivo.
8. Não procures culpados: As pessoas felizes não culpam os outros pelos seus próprios fracassos na vida. Em vez disso, elas assumem os seus erros e, ao fazê-lo, proactivamente tentam mudar para melhor.
9. Vive o presente: As pessoas felizes não vivem no passado nem se preocupam com o futuro. Elas saboreiam o presente envolvendo-se em tudo o que fazem.
10. Acorda todos os dias à mesma hora: Acordar à mesma hora todas as manhãs estabiliza o teu metabolismo, aumenta a produtividade e coloca-te num estado calmo e centrado.
11. Não te compares aos outros: Se achas que és melhor do que outra pessoa ganhas um sentido saudável de superioridade, mas se considerares que alguém é melhor do que tu acabas por te sentir mal contigo mesmo. Serás mais feliz se te concentrares no teu próprio progresso.
12. Escolhe os teus amigos com sabedoria: A miséria adora companhia. É por isso que é importante cercares-te de pessoas optimistas que te vão incentivar a cumprir os teus objectivos.
13. Não procures a aprovação dos outros: As pessoas felizes não se importam com o que os outros pensam delas. Elas seguem seus próprios corações, sem deixar os pessimistas desencorajá-los. Elas entendem que é impossível agradar a todos. Escuta o que as pessoas têm a dizer, mas nunca esperes pela aprovação de ninguém.
14. Aproveita o teu tempo para ouvir: Fala menos, escuta mais. Escutar mantém a mente aberta. Quanto mais intensamente ouvires, mais silenciosa a tua mente fica e mais conteúdo absorves.
15. Cultiva os relacionamentos sociais: Uma pessoa só é uma pessoa infeliz. As pessoas felizes entendem como é importante ter relações fortes e saudáveis. Procura sempre tempo para te encontrares e falar com a tua família e amigos.
16. Medita: Ficar em silêncio ajuda-te a encontrar a tua paz interior. Não precisas de ser um mestre zen para alcançar a meditação. As pessoas felizes sabem como silenciar as suas mentes em qualquer lugar e a qualquer hora.
17. Alimenta-te bem: Tudo o que comes afecta directamente a capacidade do teu corpo produzir energia, o que vai ditar o teu humor e concentração. Certifica-te que os alimentos que ingeres irão manter tua mente e teu corpo em boa forma.
18. Faz exercício físico: Estudos têm demonstrado que o exercício aumenta os níveis de felicidade. Aumenta também a tua auto-estima e dá-te uma maior sensação de auto-realização.
19. Vive com o que é realmente importante: As pessoas felizes mantêm poucas coisas ao seu redor porque elas sabem que coisas supérfluas os deixam sobrecarregados e stressados.
20. Diz sempre a verdade: Mentir corrói a tua auto-estima e torna-te antipático. Ser honesto melhora a tua saúde mental e faz com que os outros tenham mais confiança em ti. Sê sempre verdadeiro e nunca peças desculpa por isso.
21. Controla a tua vida: As pessoas felizes têm a capacidade de escolher os seus próprios destinos. Elas não deixam que os outros digam como devem viver as suas vidas. Deter o controlo completo de tua própria vida confere-te sentimentos positivos e de auto-estima.
22. Aceita o que não pode ser alterado: Depois de aceitares o facto de que a vida não é justa, vais ficar em paz contigo próprio. Em vez de viveres obcecado com o facto da vida ser injusta, concentra-te apenas no que podes controlar e mudar para melhor.
Simples, não? Se dúvidas subsistirem, podem aceder aqui ao texto original.
E, sejam Felizes!

domingo, 5 de maio de 2013

Os gatos gostam de água?




Não me considero uma mãe obcecada pela educação do filhote. Nunca fui pessoa de ler todas as teorias sobre educação, de adoptar todos os conselhos e estratégias para regular comportamentos. Limito-me a seguir o meu instinto e a ser inflexível em relação a duas regras [ou máximas!]:

  1. As crianças só fazem aquilo que nós deixamos;
  2. Nunca comprem uma guerra que não podem ganhar.
E, até ao momento, tem corrido tudo bem. No entanto, hoje à tarde, durante uma das nossas “conversas para surdo ouvir”, tive uma epifania…
 
Ele: Mamã, os cães gostam de água?
Eu: Sim, querido. Os cães gostam de água!
Ele: Ha, os cães gostam de água. E os dromedários?
Eu: Os dromedários também.

[… 30 animais depois…]

Ele: Então e os gatos mamã, os gatos também gostam de água?
Eu [já com vontade de ir ali e me afogar]: Sim, amor, os gatos também gostam de água.
Ele [aos gritos]: NÃO mamã, os gatos não gostam de água. A Xana Toc Toc disse que os gatos não gostam de água!
 
Portanto, que se lixem as regras, o que eu preciso mesmo para me fazer respeitar é pôr uma flor no cabelo, vestir uma saia cor-de-rosa e desatar a cantar!

sábado, 4 de maio de 2013

Ser normal nunca foi o meu forte!

 


Acho que nunca o disse a ninguém, mas o principal motivo porque decidi ter o meu filho foi sentir-me sozinha. Toda a vida me senti assim, sempre rodeada de pessoas, mas inevitavelmente só.
 
Sou silenciosa e gosto dos meus silêncios. Se não tenho nada de interessante para dizer não falo só para que ouçam a minha voz. Outras vezes quero falar, mas decido não o fazer porque é um direito que me assiste. Sinto-me confortável com os meus silêncios, mas eles assustam os outros. Não entendem porque sou assim e afastam-se, fico desiludida, mais comigo do que com os outros, mas não posso evitá-lo, eu sou assim.

Quando era pequena adorava a história da Sereiazinha e há uma frase desta que me ficou para sempre gravada na memória: “Ele lerá nos teus olhos o que estás a sentir sem haver necessidade de palavras”. Apesar desta frase ser o motivo de toda a desgraça na história, acho que me convenci que seria assim. Talvez também seja um bocadinho autista.

Quando soube que estava grávida, apesar de todos os contras [que não eram poucos!], não tive dúvidas que iria nascer uma parte de mim que colmataria essa lacuna. Alguém que me compreenderia, acompanharia os meus silêncios e me amaria incondicionalmente. Foi com esta convicção que, contra todas as expectativas e diagnósticos, operei o milagre de dar a vida ao meu filhote.

Esqueci-me que as pessoas nem sempre têm os mesmos interesses e os meus silêncios foram substituídos por conversas intermináveis sobre zebras e dromedários, sobre marcas de automóveis e personagens de desenhos animados, repetidas em looping, vezes sem conta, com poucas ou nenhumas variações de conteúdo, com pouca ou nenhuma reciprocidade.

Os últimos anos mostraram-me de que forma uma decisão, tomada em minutos, condiciona toda uma vida. Não me interpretem mal, nunca me arrependi. Se tivesse a oportunidade de repetir tudo a resolução seria a mesma, não mudava nada.
 
Sempre pensei que o marco em que atingiria o meu limite seria o momento em que me arrependesse da decisão tomada e esta certeza distraiu-me. O meu limite já foi ultrapassado há muito tempo. Hoje sei que o que consegui não foi sentir-me acompanhada, mas sim morrer para viver a vida de outra pessoa, de um pequeno pedaço de mim própria, que nunca vai ser totalmente autónomo.
 
E, o mais estranho, é que continuo a não mostrar sinais de remorso. O mais bizarro é que me sinto em paz, capaz de retirar felicidade das situações mais insólitas e estou mais sozinha do que nunca.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Experiência [quase] religiosa





Sábado passado foi Dia de Acção de Graças, um dia comemorado nos EUA, mas não por cá. De qualquer modo, é um dia religioso e como o filhote está no primeiro ano da catequese achei que seria uma boa justificação para começar a ir à missa. Passei o dia a motivá-lo, a explicar-lhe como seria, como se devia comportar, enfim, entramos em modo de preparação completa.

Às 19 horas, chegamos à igreja e a missa não era lá! Como se tratava de uma homenagem aos meninos da catequese estavam cerca de 300 pessoas, portanto, toca de nos deslocarmos para o auditório do Centro Paroquial onde nos esperava casa cheia. Da catequista do “piqueno”, nem sinal, logo, ficou fora de questão deixá-lo, sem vigilância, junto dos outros meninos [até porque quando tentei, tratou logo de subir para o altar para cumprimentar o padre, que por essa altura já tinha começado a homilia, mas chatear-me porquê, afinal só tínhamos 300 pessoas a olhar para nós!].

Depois de 2 minutos no exterior para acalmar, voltámos a tentar e tenho a dizer-vos que fiquei surpreendida, o rapaz conseguiu ficar quieto durante 10 minutos [pena que a missa não demore apenas 10 minutos]. Findo este breve período de tempo, regressa a agitação. De volta às estratégias para o manter quieto, saco da minha agenda e de uma caneta e começo a fazer desenhos. Resultou… mais 10 minutos… quando já pensava que se calhar já chegava para primeira experiência ele volta a acalmar e fica a ouvir o padre.

Foi então que a coisa se complicou… No silêncio da homilia ouço uma voz familiar ao meu lado, no seu normal tom esganiçado [30% acima do permitido por lei]: “Mamã, Jesus morreu?”. Cento e cinquenta cabeças voltaram-se para nós. “Sim, amor” respondi eu baixinho [pensando que a conversa ficava por aí], ao que o puto “volta à carga” para toda a assembleia ouvir: “A sério, mamã???? Porquê?”.
 
Bom, vejamos a situação pelo lado positivo: assistimos a metade da missa pelo que na próxima semana, com menos gente, numa missa normal, vai ser mais fácil e… divertimos uma audiência de 300 pessoas. Quantos de vocês tiveram um fim-de-semana tão proveitoso?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

E o sol voltou a brilhar…





Não tenho aqui escrito nada ultimamente porque sentia uma espécie de nuvem muito escura sobre a minha cabeça e, como já vos disse antes, não quero tornar este blog num espaço sombrio, porque eu não sou assim.

Para que tenham uma ideia… A minha casa precisa urgentemente de ser pintada, metade dos meus electrodomésticos estão a deixar de funcionar, o puto precisa de óculos novos e de ir ao dentista e a minha conta bancária é mais assustadora do que um filme de terror.

A juntar a tudo isto, ouço gritos do miúdo logo pela manhã [primeiro porque não se quer vestir, depois porque não quer tomar o pequeno almoço e finalmente porque não lhe apetece sair de casa] e ao final do dia [porque quer ficar na escola]. Chegamos a casa e, claro está, a algazarra continua até ir para a cama. Não sei como, adquiriu a convicção de que todos os motivos são bons para gritar e, até esta fase passar, gritos é o que teremos. A lista dos meus aborrecimentos parece infindável, mas chega de me lamentar…

Na semana passada falaram-me de um blog que conta a história da luta de uma jovem, de cerca de trinta anos, contra um cancro que a acabou por matar. Durante três anos, a Silvina [que afinal se chamava Rita] expõe, na primeira pessoa, todas as batalhas que travou, todos os medos, expectativas e esperanças que sentiu. Lemos post após post dominados pelo conhecimento prévio de que ela perdeu a batalha.

Confesso que me sinto um pouco sinistra ao dizê-lo, mas a cada frase que lia me sentia mais convicta de que a desgraça dos outros, por vezes, nos consegue animar. Se não vejamos: tenho uma saúde de ferro e o meu filho também. Nem sequer me lembro da última vez em que estive doente, acho que nunca tive sequer uma gripe, ele há cinco anos que não adoece. Sou imune a todo o tipo de vírus, inclusive os mais improváveis, como o dengue ou a tuberculose. O meu metabolismo é de tal forma acelerado que, apesar de não ter cuidados extraordinários, tenho um nível médio de massa gorda de 6%. As nossas análises estão sempre tão perfeitas que, na maioria das vezes, nos mandam repetir suspeitando de algum erro.
Tenho um filho muito inteligente e que, gritos à parte, é uma pessoa linda, capaz de cativar todos os que se dão ao trabalho de o conhecer. É uma criança tão carismática que quando andava no infantário, e necessitava de mais vigilância, os outros meninos [especialmente as meninas] guerreavam entre si para tomarem conta dele. Em resumo e sem mais divagações, estamos vivos, juntos e somos super saudáveis!
 
Achamos sempre que a nossa vida é uma confusão, até olharmos em volta e nos deparamos com vidas realmente complicadas, com situações indescritíveis. Mesmo quando estamos no limite faz-nos bem verificar que alguém já o passou, só então percebemos a sorte que temos! Portanto, estou de volta e este vai ser um dia luminoso!


sexta-feira, 19 de abril de 2013

No jardim do "meu" Palácio...

 
Pois que o meu Palácio tem, como podem ver, um belo de um jardim, do qual pretendo usufruir MUITO este Verão.



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Bem-vindos à Holanda


 
Não posso deixar de partilhar com vocês um texto maravilhoso escrito por Emily Perl Knisley. Frequentemente solicitada a descrever a prova de dar à luz uma criança com deficiência, numa tentativa de ajudar quem não compartilha desta experiência a entendê-la, esta mãe escreveu um texto único que, na minha modesta opinião, descreve na perfeição o avassalador choque que nos atinge ao sabermos que o nosso filho é, e vai ser sempre, diferente dos outros.

Nas palavras desta mãe, seria como...

Ter um bebé é como planear uma fabulosa viagem de férias a Itália! Compras montes de guias, fazes planos maravilhosos. O Coliseu, o David de Michelangelo, as gôndolas de Veneza… Podes aprender algumas frases simples em italiano e é tudo muito excitante.

Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia. Arrumas as malas, embarcas e, algumas horas depois, ao aterrares o comandante diz: - "Bem-vindos à HOLANDA!"

"HOLANDA!?! " dizes tu – "Como Holanda?? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda minha vida sonhei em conhecer a Itália".

Mas houve uma mudança no plano de voo. Eles aterraram na Holanda e é lá que deves ficar.

O mais importante é que não te levaram para um lugar horrível, desagradável, cheio de pestilência, fome e doenças. É apenas um lugar diferente. Logo, deves sair, comprar novos guias e aprender uma nova linguagem. Vais encontrar todo um novo grupo de pessoas que até então não conhecias. É apenas um lugar diferente, menos ensolarado que a Itália. Após algum tempo podes respirar fundo, olhar ao redor e começar a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrandts e Van Goghs.

Mas, todos os que conheces estarão ocupados a ir e vir da Itália e comentarão contigo sobre o tempo maravilhoso que por lá passaram. E tu pensarás: "Sim, era lá que eu deveria estar. Era tudo o que eu tinha planeado." E a dor que isso te causará nunca, nunca irá passar... porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.
 
Porém... se passares a tua vida toda a remoer no facto de não teres chegado a Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais... da Holanda.

sábado, 30 de março de 2013

You think you know me? Think again.


Não me comovo com finais de filmes ou de livros. Nunca ouvi uma canção que me fizesse chorar. Isto faz de mim uma aberração? Porque quando o digo a alguém, inevitavelmente, o olhar de incredulidade que recebo de volta, é assim que me faz sentir. Não sou insensível, como todos parecem pensar, simplesmente, o que me comove é…

… alguém não ter onde morar e viver na rua… o vizinho do 3.º andar ter de mendigar todos os dias para se alimentar… o meu filho, apesar de ser dos melhores alunos da turma, nunca ter estado no quadro de honra, por ser deficiente... amigos falsos… alguém, que trabalhou toda a vida, ter de depender da família para sobreviver, porque tem uma reforma miserável… um pai que perde o filho ou um filho de perde o pai… uma mãe, que atinge tal nível de desespero, que mata os filhos e se suicida… o meu filhote gritar de frustração porque não consegue desenhar um porco…

E a lista continua. Posso mencionar-vos mil itens que me poderão fazer chorar, mas entre eles não vão encontrar nenhum filme ou canção. O que me emociona é a realidade. Isso faz de mim uma anomalia?

domingo, 24 de março de 2013

As 50 Sombras


 
Não me advogo crítica literária, mas leio muito, por isso, é inevitável que vos fale dos livros que leio. Li recentemente a trilogia de “As 50 Sombras” e tenho-vos a dizer que esta leitura foi, no mínimo, intrigante.
 

Porque apesar de estar muitíssimo mal escrito…
Tive que ler alguns parágrafos por duas ou três vezes para tentar perceber o que a autora queria dizer. Certos diálogos são surreais, outros incompreensíveis. As cenas de sexos {descritivas até à exaustão} repetem-se em looping, com poucas variações de conteúdo, ao longo das quase 3000 páginas da saga. Lê-se a primeira, saltam-se as restantes… Em suma, uma lástima.
 
Da história ser do mais lamechas e previsível que se possa imaginar…
Rapaz indescritivelmente belo conhece rapariga linda de morrer {e virgem, claro!}, apaixonam-se, ele revela-se um pervertido, ela tenta mudá-lo, mas acaba por gostar e vivem felizes para sempre. Muitas dúvidas, numerosos obstáculos, mas no final, previsivelmente, tudo acaba bem! Enfim, uma versão hardcore da saga Crepúsculo {da qual, por acaso, até gostei bastante}.
 
É completamente viciante!
Comecei a ler e senti-me, desde logo, presa numa espécie de teia que me algemou {!!} até ao final da história. Li as quase 3000 páginas que compõem a trilogia como se de um vício se tratasse. E sendo esta saga é um bestseller mundial, parece-me que não fui a única a encontrar-lhe algum mérito. Vá-se lá entender porquê!



sábado, 23 de março de 2013

A Carta aos 19% de Ricardo Araújo Pereira


Não sou uma pessoa invejosa, juro que não! Não invejo a vida ou a felicidade a ninguém, mas confesso que gostava de ter metade da graça e do humor do Ricardo Araújo Pereira, de quem sou fã incondicional. A última crónica dele para a  revista Visão está simplesmente genial, por isso não resisti a "roubá-la" a outro blog (Entre as Brumas da Memória)... Para aceder cliquem aqui.

Medicação necessária



Ao falar de deficiência é inevitável abordar a questão da medicação e dos efeitos nefastos que esta pode ter no desenvolvimento das crianças. A saúde não é a minha área, pelo que não vos posso transmitir conhecimentos científicos sobre o assunto, apenas a minha {vasta} experiência como mãe de um menino que sempre dependeu de medicamentos para conseguir funcionar.
 
É habitual que as perturbações do espectro do Autismo, tenham associada a epilepsia, pelo menos até aos 4 anos de idade, altura em que as ligações no cérebro são concluídas e as convulsões, normalmente, cessam. Exactamente por isso o meu filho tomou, desde os 18 meses, diversos medicamentos com contra-indicações e efeitos secundários gravíssimos. Foi-lhe prescrito Fenitoina, Depakine, Topamax, Keppra, Risperdal, sempre de uma forma experimental e nem sempre nas combinações e/ou quantidades mais eficazes.
 
Quando deixou de necessitar desta medicação, começou outra para a hiperactividade, igualmente como efeitos secundários e sempre numa base experimental. Já tomou o Rubifen, o Concerta, a Ritalina LA e neste momento voltou ao Rubifen.
 
Entendo que a medicação seja necessária, apesar das contra-indicações, no caso das convulsões podia mesmo correr risco de vida se não a tomasse. Reconheço, igualmente, que na maioria dos casos a medicação é de facto eficaz e que os benefícios suplantam os efeitos adversos. Também não contesto a necessidade de experimentar, admito que seja necessário testar até obter a combinação e dosagem adequadas. Perturbações como a hiperactividade são causadas por alterações químicas ao nível do cérebro e claro que não queremos que recolham amostras no cérebro dos nossos filhos para determinar qual a substância em excesso ou em falta…
 
Agora aceito, mas nem sempre foi assim. Se não houve lugar para dúvidas em relação aos anti-convulsionantes {por causa da epilepsia}, o mesmo não aconteceu com os estimulantes {para a hiperactividade}. Em grande parte dominada pelo preconceito que envolve a administração deste tipo de medicação e o rótulo de mal-educados com que a sociedade classifica os hiperactivos, durante algum tempo deixei-me influenciar e resisti a medicar o meu filho. A falta de acompanhamento por parte dos médicos quando prescrevem este tipo de medicação {da qual já tinha a experiência por causa da epilepsia}, também não me ajudou a decidir. Sabem, com certeza daquilo que estou a falar…
 
Valeram-me muitas horas de pesquisa na internet e os conselhos do pediatra, dos educadores e dos terapeutas que o acompanham. Acabei por decidir experimentar e não me arrependo! Actualmente o meu filhote está no 2.º ano e tem feito todas as aquisições esperadas, à excepção da matemática que exige um raciocínio abstracto que ele ainda não desenvolveu. Aprendeu a ler e a escrever ao mesmo tempo que os colegas da sala do ensino regular e é bastante bom em estudo do meio. Mas apenas porque está medicado, não tenho qualquer dúvida que tal só foi possível graças ao Rubifen.
 
Claro que há efeitos secundários, como a falta de apetite {quase crónica} e o agravamento da hiperactividade após o período de acção do medicamento, mas acredito que fiz o que era melhor para ele, contribuindo de forma decisiva para que obtenha o máximo de autonomia e funcionalidade. Além disso, o bem-estar e a felicidade do meu filho estão sempre em primeiro lugar!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Hoje começa a Primavera… no hemisfério norte!






No hemisfério norte a Primavera tem o nome de “boreal" e no sul de “austral". A nossa Primavera {a boreal} começa hoje e termina em 21 de Junho, ou seja, inicia-se no equinócio de Março e termina no solstício de Junho. No dia do equinócio {hoje} o dia e a noite têm a mesma duração. E, a partir de agora, a cada dia que passa, gradualmente o dia aumenta e a noite diminui, aumentando, deste modo, a insolação do hemisfério norte.

Mas chega de ciência… ontem foi pela primeira vez celebrado o Dia Internacional da Felicidade, hoje começa a Primavera e, a partir de amanhã os períodos diários de sol vão gradualmente aumentar. Portanto, temos ou não motivos para estar felizes?

As imbecilidades que fazemos por instinto!

 
 


Fiz uma coisa verdadeiramente estúpida. Ainda não estou em mim! Vi-me numa situação, completamente fora de contexto, e por instinto reagi da pior forma possível, pondo a minha vida em risco para ajudar um desconhecido. Mas não vou começar a divagar, sem conhecerem os factos não podem avaliar a dimensão da asneira que cometi…

Ontem ao final da tarde, andava eu a correr no bosque perto da minha casa, quando me deparo com outro “atleta” quase a ser atacado por um enorme cão, que me pareceu {porque eu não percebo nada de cães} um pitbull. O homem, assustadíssimo, saltitava em frente ao cão. O animal, que devia ter o dobro do meu peso, ladrava e rosnava de raiva. Um cenário dantesco!
 
E perguntam vocês: O que fiz eu? Afastei-me? Não. Pedi ajuda? Claro que não. Tentei, pelo menos, proteger-me do cão? Obviamente que não! Pois aqui a “iluminada” posicionou-se entre o homem e a bicheza! {Leram bem: eu atirei-me para a frente do cão…} Disse ao sujeito para se manter atrás de mim e não fazer movimentos bruscos, como se de uma entendida me tratasse, e fiquei estúpida {nunca é de mais repetir: estúpida} a mirar o bicho. Não sei o que me passou pela cabeça, ou melhor, acho que até sei, o meu cérebro deve ter parado momentaneamente… Eu não tenho medo de cães {mesmo numa situação como aquela}, mas está-me a parecer que desta vez me excedi!
 
Disseram-me uma vez que os animais conseguem “cheirar” o nosso medo através de uma glândula que segregamos quando o sentimos. Em alguns animais, nomeadamente nos cães, esse medo pode desencadear um instinto de defesa e eles atacam. Deve ser verdade, porque ele olhou para mim, parou de ladrar e foi-se embora.
Não estou em mim! Como é que me pude por em perigo desta maneira? Eu tenho responsabilidades. O meu filho só me tem a mim! E fazê-lo por alguém que nem conheço, que acho que nem vou reconhecer se voltar a encontrar.
 
Ontem fiz uma coisa verdadeiramente estúpida. E o mais grave é que se hoje fosse colocada perante um cenário semelhante, mesmo tendo consciência da imbecilidade do acto, sei que reagiria de forma idêntica, porque sou demasiado instintiva, sempre fui. Ajo primeiro, penso depois…


quarta-feira, 20 de março de 2013

O meu imenso lado lunar

 
 
Escrever este blog tem-me demonstrado que tenho um lado lunar {leia-se sombrio} mais extenso do que aquilo que eu julgava. Ao pensar em temas para escrever, os mais negros são aqueles que me ocorrem mais prontamente. Por mais positividade que tente imprimir naquilo que redigo, aqui e ali vão surgindo pequenas “nódoas”, posts que, por vezes, nem eu consigo entender muito bem como surgiram.

Consequência talvez de lidar diariamente com uma criança diferente, que me leva todos os dias ao limite da exaustão. Sei que os pais especiais me conseguem entender, quando aos restantes, é difícil explicar...

Há momentos em que as sombras tomam conta de tudo e, por mais que me esforce, não consigo ver luz em lado nenhum. Momentos em que me sinto esmagada pelas dúvidas, em que o facto de saber que vai ser sempre assim, que nunca vai melhorar, me conduz a níveis inimagináveis de desespero. Instantes em que tudo se torna difuso e sufocante. Às vezes esses momentos enredam-se e eu levo algum tempo a “desfiar” a meada que formam.

Vale-me o optimismo, a capacidade de me agarrar a uma réstia de luz e fazer nascer o sol. E então sinto-me indestrutível…

Festa do Dia do Pai!


Minhas senhoras, se forem a uma festa dirigida a pais {e não a mães} há 4 aspectos a que devem sempre {mas mesmo, SEMPRE!} atender:

1.   Não se devem esquecer nunca de ir munidas de tampões para os ouvidos {se 50 crianças excitadas fazem muito barulho, imaginem lá o ruído ensurdecedor que conseguem fazer 100…};

2.   Não coloquem maquilhagem {não é compatível com esguichos de água e o nosso aspectos acaba por ficar… vá, um pouco estranho};

3.   Também não se atrevam de levar saltos altos {não são, de modo algum, prático para actividades ditas masculinas, como o futebol humano};

4.   E o conselho mais importante que vos dou, não devem nunca {mas mesmo, NUNCA!} pensar em usar vestido ou saia {porque se caírem, acabam por mostrar mais do que aquilo que desejam!}.

terça-feira, 19 de março de 2013

Festa de Aniversário


No Sábado passado o meu filhote foi pela primeira vez sozinho à Festa de Aniversário de um coleguinha da escola. Como já vos disse ele tem autismo e hiperactividade, pelo que sempre que era convidado para uma festa levava o “emplastro” {leia-se a mãe} atrás, munida de brinquedos diversos, muitas mudas de roupa e um stock {quase} ilimitado de paciência.

Desta vez foi diferente e quando perguntei à mãe do aniversariante se queria que eu ficasse {questão de praxe, porque a resposta é sempre positiva} foi-me dito: não é necessário, pedi reforços familiares. Rejubilei {três inesperadas horas só para mim!}.

Confesso que pensei que a coisa fosse correr mal quando me questionou sobre se teria alguma recomendação a fazer e eu comecei a debitar um longo rol {fichas eléctricas, crianças pequenas, janelas, objectos cortantes, torneiras, óculos, fugas, …}, mas ela não desarmou!

Deixar o meu filho, num r/c com as janelas todas abertas e cerca de 20 putos em efervescência, não foi fácil, mas “ele já tem 8 anos e eu vou ter 3 horas de folga!” {pensei eu}. Pois, mas pensei mal! Ao fim de uma hora já a destemida senhora me estava a ligar a pedir socorro. Ao chegar deparei-me com 20 petizes aterrorizados e uma casa parcialmente destruída {Maldição!}. Bom, valeu pela minha hora de descanso e pela experiência nova para o puto {que tão cedo não se voltará a repetir!}.

Dia do Pai

 
 
Uma das vantagens de ser mãe e pai em simultâneo, é que não comemoro a maternidade apenas um dia por ano {no Dia da Mãe}, mas sim duas {no Dia da Mãe e no Dia do Pai}. Quantos de vocês se podem gabar de receber anualmente dois presentes manufacturados pelo cachopo e assistir a festividades escolares, dedicadas a vocês e cuidadosamente preparadas, na mesma quantidade?
 

segunda-feira, 18 de março de 2013

As palavras que nunca te direi...


"Se eu te pudesse dizer o que nunca te direi!
Tu terias que entender aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa


Já vos aconteceu quererem muito dizer algo a uma pessoa, mas não o fazerem por recearem ser mal interpretados? Pois é exactamente como me sinto há já algum tempo. Então tive uma epifania e pensei: Bolas, mas afinal eu tenho um blog para quê? Não é para isto que serve este espaço? Para falar sem inibições, sem receio de ser julgada, mal avaliada? Sem precisar de pesar as palavras? De me conter? É claro que sim! Por isso, cá vai…

Disse-vos há dias que li um livro arrebatador, no qual reconheci cada data, cada sítio, cada sensação e ainda hoje não sei explicar a impressão que me deixou. Recordam-se, não é verdade? Pois, o que eu não vos contei é que conheço pessoalmente o autor desse livro!

Não quero com isto dizer que sejamos grandes amigos e que vivemos juntos a história que ele escreveu, na verdade só o fiquei a conhecer realmente depois de a ler. Até então ele era apenas um conhecido de longa data, apenas isso: alguém que encontrei há quase 20 anos e que revia com pouca regularidade {e nenhuma intimidade}. Idades próximas, alguns amigos comuns e a viver na mesma {pequena} comunidade. Apenas isso!

Soube, há algum tempo, que ele tinha escrito um livro e, por alto, a história {verídica} que contava. Exactamente por conhecer o seu teor, resisti muito a lê-lo. Parecia uma história tristonha, sobre perda, dor e saudade, e este tipo de narrativa deixa-me sempre com uma sensação de vazio e de impotência contra o inevitável.

Descobri, também, que tem um blog, comecei a visitá-lo e verifiquei que ele escreve divinalmente bem… Cada palavra que redige, cada frase que compõe, parece tocar-nos directamente na alma… Recolhi pedacinhos soltos da história, mas como os captava desenquadrados do todo, pareciam-me monótonos e sombrios. A minha aversão pelo livro crescia e, em proporção paralela, a minha curiosidade aumentava.

Mas deixemo-nos de preâmbulos, pois como já sabem, acabei por lê-lo! Bom, “lê-lo” talvez não seja a palavra mais acertada, porque eu, literalmente, devorei 200 páginas em poucas horas. Simplesmente, não consegui parar…

O que vos posso dizer? Não se trata de um livro “comercial” capaz de se tornar num bestseller, não porque esteja mal escrito, mas porque a história é extraordinariamente pessoal. Talvez por conhecer quem a escreveu e saber tratar-se de uma história verídica, a leitura foi ainda mais brutal do que inicialmente imaginei, mais forte do que tudo o que li até agora.

Vale pela forma dissimulada {sem sentido pejorativo} como o autor nos revela os seus sentimentos e se expõe a si próprio. Nunca, em tempo algum, será possível, unicamente através de uma conversa com ele, captar a sua intensidade e a clareza da sua alma. Já ouvi, inclusive, compararem-no com uma espécie de Apolo de pedra {porque ele é, simplesmente, LINDO DE MORRER}. Lindo por fora, oco por dentro! É assim que o vê quem o conhece mal. Era assim que eu o via antes de ler o que ele escreveu. Na verdade, ele é… sincero, leal, simples, preocupado, arrebatado, apaixonado, inteligente, sensível e, sobretudo, é a única pessoa que conheço capaz de deixar uma marca impressa, de forma definitiva, na alma de quem o ouve com atenção…

Confesso que esta constatação me deixou inquieta, porque me recordou o pouco esforço que fazemos para realmente conhecer os outros e das oportunidades que perdemos por agir assim. Rodeamo-nos de pessoas vazias com quem só podemos contar nos momentos bons e rejeitamos aqueles que não entendemos com facilidade, pela sua profundidade, e que nos poderiam realmente valer quando necessitamos de apoio. E falo com conhecimento de causa, porque perdi a conta ao número de pessoas que desapareceram da minha vida ao saberem que o meu filho era diferente das outras crianças…

Deixou-me, também, muito confusa, num vórtice de emoções contraditórias, de dúvidas e com uma crescente impressão de urgência e perplexidade. Sentia-me apaixonada por uma fantasia. Para que me entendam melhor, vou explicar de outra forma: Sempre consegui ver a minha vida como um mapa. Cada causa, cada efeito. Sempre percebi, com clareza, o peso de cada escolha para chegar onde estou. Com este livro divisei, pela primeira vez, a interligação de todos os acontecimentos do meu “mapa” e compreendi que tinha desperdiçado demasiado tempo com trivialidades, sem nunca me deter naquilo que é realmente importante, e agora era demasiado tarde. Esta constatação deixou-me triste e desanimada, pela primeira vez em muito tempo.

Então, perguntei a mim mesma: Porque tem esta prova que ser diferente se eu já sobrevivi a dúvidas bem mais inquietantes? Simplesmente, não tem que ser diferente.

Como sou uma pessoa optimista por natureza, agarrei-me a uma réstia de luz e então consegui ver, com toda a clareza, aquilo que a vida me queria mostrar… Antes de mais, deixem-me que vos diga que descobri que tenho uma capacidade {quase sobrenatural} de transformar a escuridão em claridade. Uma espécie de dom que me permite retirar de todas as situações, até das mais negras, uma lição. Absorvo todos os ensinamentos, mesmo quando testada até ao limite, e diviso em todas as experiências um conhecimento que me fica gravado na alma de forma indelével. Viver é aprender e nunca é demasiado tarde para fazê-lo! A simplicidade desta constatação é esmagadora. E, não posso deixar de pensar, que teria conseguido chegar lá sozinha, se tivesse prestado mais atenção aos sinais, se tivesse aberto mais cedo o meu coração.

Ao iniciar este post disse que pretendia transmitir algo a alguém. Portanto, este post destina-se apenas a um leitor, o escritor do livro que me proporcionou uma viagem ao centro de mim própria e a quem enviei um comentário {muito filtrado} que não faz jus a tudo o que gostaria de lhe dizer. Muito obrigada simplesmente por existires! Se não o alcançar, não faz mal, as almas não precisam de ouvir! Eu posso partilhar, mesmo sem reciprocidade, e esperar ser compreendida…