Não tenho aqui escrito
nada ultimamente porque sentia uma espécie de nuvem muito escura sobre a minha
cabeça e, como já vos disse antes, não quero tornar este blog num espaço sombrio, porque eu não sou assim.
Para que tenham uma
ideia… A minha casa precisa urgentemente de ser pintada, metade dos meus
electrodomésticos estão a deixar de funcionar,
o puto precisa de óculos novos e de ir ao dentista e a minha conta bancária é
mais assustadora do que um filme de terror.
A juntar a tudo isto,
ouço gritos do miúdo logo pela manhã [primeiro porque não se quer vestir,
depois porque não quer tomar o pequeno almoço e finalmente porque não lhe
apetece sair de casa] e ao final do dia [porque quer ficar na escola]. Chegamos
a casa e, claro está, a algazarra continua até ir para a cama. Não sei como,
adquiriu a convicção de que todos os motivos são bons para gritar e, até esta
fase passar, gritos é o que teremos. A lista dos meus aborrecimentos parece
infindável, mas chega de me lamentar…
Na semana passada
falaram-me de um blog que conta a
história da luta de uma jovem, de cerca de trinta anos, contra um cancro que a
acabou por matar.
Durante três anos, a Silvina [que afinal se chamava Rita] expõe, na primeira
pessoa, todas as batalhas que travou, todos os medos, expectativas e esperanças
que sentiu. Lemos post após post dominados pelo conhecimento prévio
de que ela perdeu a batalha.
Confesso que me sinto um
pouco sinistra ao dizê-lo, mas a cada frase que lia me sentia mais convicta de
que a desgraça dos outros, por vezes, nos consegue animar. Se não vejamos:
tenho uma saúde de ferro e o meu filho também. Nem sequer me lembro da última
vez em que estive doente, acho que nunca tive sequer uma gripe, ele há cinco
anos que não adoece. Sou imune a todo o tipo de vírus, inclusive os mais
improváveis, como o dengue ou a
tuberculose. O meu metabolismo é de tal forma acelerado que, apesar de não ter
cuidados extraordinários, tenho um nível médio de massa gorda de 6%. As nossas
análises estão sempre tão perfeitas que, na maioria das vezes, nos mandam
repetir suspeitando de algum erro.
Tenho um filho muito
inteligente e que, gritos à parte, é uma pessoa linda, capaz de cativar todos
os que se dão ao trabalho de o conhecer. É uma criança tão carismática que
quando andava no infantário, e necessitava de mais vigilância, os outros
meninos [especialmente as meninas] guerreavam entre si para tomarem conta dele.
Em resumo e sem mais divagações, estamos vivos, juntos e somos super saudáveis!
Achamos sempre que a
nossa vida é uma confusão, até olharmos em volta e nos deparamos com vidas
realmente complicadas, com situações indescritíveis. Mesmo quando estamos no
limite faz-nos bem verificar que alguém já o passou, só então percebemos a
sorte que temos! Portanto, estou de volta e este vai ser um dia luminoso!

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