Ao falar de deficiência
é inevitável abordar a questão da medicação e dos efeitos nefastos que esta
pode ter no desenvolvimento das crianças. A saúde não é a minha área, pelo que
não vos posso transmitir conhecimentos científicos sobre o assunto, apenas a
minha {vasta}
experiência como mãe de um menino que sempre dependeu de medicamentos para
conseguir funcionar.
É habitual que as
perturbações do espectro do Autismo, tenham associada a epilepsia, pelo menos
até aos 4 anos de idade, altura em que as ligações no cérebro são concluídas e as
convulsões, normalmente, cessam. Exactamente por isso o meu filho tomou, desde
os 18 meses, diversos medicamentos com contra-indicações e efeitos secundários
gravíssimos. Foi-lhe prescrito Fenitoina, Depakine, Topamax, Keppra, Risperdal,
sempre de uma forma experimental e nem sempre nas combinações e/ou quantidades
mais eficazes.
Quando deixou de
necessitar desta medicação, começou outra para a hiperactividade, igualmente
como efeitos secundários e sempre numa base experimental. Já tomou o Rubifen, o
Concerta, a Ritalina LA e neste momento voltou ao Rubifen.
Entendo que a medicação
seja necessária, apesar das contra-indicações, no caso das convulsões podia
mesmo correr risco de vida se não a tomasse. Reconheço, igualmente, que na
maioria dos casos a medicação é de facto eficaz e que os benefícios suplantam
os efeitos adversos. Também não contesto a necessidade de experimentar, admito
que seja necessário testar até obter a combinação e dosagem adequadas.
Perturbações como a hiperactividade são causadas por alterações químicas ao
nível do cérebro e claro que não queremos que recolham amostras no cérebro dos
nossos filhos para determinar qual a substância em excesso ou em falta…
Agora aceito, mas nem
sempre foi assim. Se não houve lugar para dúvidas em relação aos
anti-convulsionantes {por
causa da epilepsia}, o mesmo não aconteceu com os estimulantes {para a hiperactividade}.
Em grande parte dominada pelo preconceito que envolve a administração deste
tipo de medicação e o rótulo de mal-educados com que a sociedade classifica os
hiperactivos, durante algum tempo deixei-me influenciar e resisti a medicar o
meu filho. A falta de acompanhamento por parte dos médicos quando prescrevem
este tipo de medicação {da qual já tinha a experiência por causa da epilepsia},
também não me ajudou a decidir. Sabem, com certeza daquilo que estou a falar…
Valeram-me muitas horas
de pesquisa na internet e os conselhos do pediatra, dos educadores e dos
terapeutas que o acompanham. Acabei por decidir experimentar e não me
arrependo! Actualmente o meu filhote está no 2.º ano e tem feito todas as
aquisições esperadas, à excepção da matemática que exige um raciocínio
abstracto que ele ainda não desenvolveu. Aprendeu a ler e a escrever ao mesmo
tempo que os colegas da sala do ensino regular e é bastante bom em estudo do
meio. Mas apenas porque está medicado, não tenho qualquer dúvida que tal só foi
possível graças ao Rubifen.
Claro que há efeitos
secundários, como a falta de apetite {quase crónica} e o agravamento da
hiperactividade após o período de acção do medicamento, mas acredito que fiz o
que era melhor para ele, contribuindo de forma decisiva para que obtenha o
máximo de autonomia e funcionalidade. Além disso, o bem-estar e a
felicidade do meu filho estão sempre em primeiro lugar!

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