sábado, 23 de março de 2013

Medicação necessária



Ao falar de deficiência é inevitável abordar a questão da medicação e dos efeitos nefastos que esta pode ter no desenvolvimento das crianças. A saúde não é a minha área, pelo que não vos posso transmitir conhecimentos científicos sobre o assunto, apenas a minha {vasta} experiência como mãe de um menino que sempre dependeu de medicamentos para conseguir funcionar.
 
É habitual que as perturbações do espectro do Autismo, tenham associada a epilepsia, pelo menos até aos 4 anos de idade, altura em que as ligações no cérebro são concluídas e as convulsões, normalmente, cessam. Exactamente por isso o meu filho tomou, desde os 18 meses, diversos medicamentos com contra-indicações e efeitos secundários gravíssimos. Foi-lhe prescrito Fenitoina, Depakine, Topamax, Keppra, Risperdal, sempre de uma forma experimental e nem sempre nas combinações e/ou quantidades mais eficazes.
 
Quando deixou de necessitar desta medicação, começou outra para a hiperactividade, igualmente como efeitos secundários e sempre numa base experimental. Já tomou o Rubifen, o Concerta, a Ritalina LA e neste momento voltou ao Rubifen.
 
Entendo que a medicação seja necessária, apesar das contra-indicações, no caso das convulsões podia mesmo correr risco de vida se não a tomasse. Reconheço, igualmente, que na maioria dos casos a medicação é de facto eficaz e que os benefícios suplantam os efeitos adversos. Também não contesto a necessidade de experimentar, admito que seja necessário testar até obter a combinação e dosagem adequadas. Perturbações como a hiperactividade são causadas por alterações químicas ao nível do cérebro e claro que não queremos que recolham amostras no cérebro dos nossos filhos para determinar qual a substância em excesso ou em falta…
 
Agora aceito, mas nem sempre foi assim. Se não houve lugar para dúvidas em relação aos anti-convulsionantes {por causa da epilepsia}, o mesmo não aconteceu com os estimulantes {para a hiperactividade}. Em grande parte dominada pelo preconceito que envolve a administração deste tipo de medicação e o rótulo de mal-educados com que a sociedade classifica os hiperactivos, durante algum tempo deixei-me influenciar e resisti a medicar o meu filho. A falta de acompanhamento por parte dos médicos quando prescrevem este tipo de medicação {da qual já tinha a experiência por causa da epilepsia}, também não me ajudou a decidir. Sabem, com certeza daquilo que estou a falar…
 
Valeram-me muitas horas de pesquisa na internet e os conselhos do pediatra, dos educadores e dos terapeutas que o acompanham. Acabei por decidir experimentar e não me arrependo! Actualmente o meu filhote está no 2.º ano e tem feito todas as aquisições esperadas, à excepção da matemática que exige um raciocínio abstracto que ele ainda não desenvolveu. Aprendeu a ler e a escrever ao mesmo tempo que os colegas da sala do ensino regular e é bastante bom em estudo do meio. Mas apenas porque está medicado, não tenho qualquer dúvida que tal só foi possível graças ao Rubifen.
 
Claro que há efeitos secundários, como a falta de apetite {quase crónica} e o agravamento da hiperactividade após o período de acção do medicamento, mas acredito que fiz o que era melhor para ele, contribuindo de forma decisiva para que obtenha o máximo de autonomia e funcionalidade. Além disso, o bem-estar e a felicidade do meu filho estão sempre em primeiro lugar!

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