Sei que tenho descurado este blog e por
isso me penitencio. Disse-vos há meses que estava de volta e depois… black out
completo, desapareci…. Penso todos os dias que deveria escrever algo, mas não
atino com o quê. A minha vida mudou. Não para melhor nem para pior. Mudou
simplesmente! E eu não consigo decidir de que forma essa mudança se reflectirá
neste espaço sem torná-lo num diário sem interesse.
Decidi que hoje era o dia de sair desse
impasse, quebrar o silêncio e abrir o meu coração. Sem reservas, como sempre
fiz aqui. Pois aqui vai…
A mudança de que falo não foi só
decorrente da tempestade de que vos falei num dos últimos posts que escrevi. O
autismo do meu filho não está curado. Eu não mudei de emprego. Continuamos a
ser só nós dois. Mas chega do que não foi, vou antes contar-vos como foi.
No Verão dei uma entrevista para uma
revista sobre o diagnóstico do meu filho, contrariamente à sugestão da
jornalista (que me conhece e pensou que eu pretendia uma entrevista anónima),
não sei porquê, resolvi expor-me. Fui fotografada. Dei uma entrevista aberta,
franca, onde contei tudo (ou quase tudo) sobre mim, sem reservas. Achei o
resultado lamechas, muito diferente daquilo que sou. No entanto, e ao contrário
daquilo que inicialmente pensei, foi avassalador. Recebi apoio das fontes mais
improváveis. Pessoas que eu pensava que nem sequer gostavam de mim ligaram-me e
enviaram-me emails a dar os parabéns a desejar boa sorte.
Entendi então que o facto de não ter
amigos próximos se deve unicamente a mim. Não foram eles que se afastaram
quando eu me fechei por causa do diagnóstico do meu filho, fui eu que nunca os
mantive por perto. E porquê? Analisando o meu comportamento desde que me
conheço sou levada a pensar que, tendo o autismo uma predisposição genética,
foi de mim que o meu filho o herdou.
Mas não procuro um diagnóstico, já não
é importante. Basta-me a consciência da causa para actuar sobre o efeito. Não
quero com tudo isto dizer que mudei radicalmente, mas agora esforço-me e esse
esforço é reconhecido, estou (mais ou menos) integrada num grupo de amigos. Se
ao falar com sinceridade as pessoas me consideram interessante é porque,
afinal, se calhar até sou! Mudei, pelo menos um bocadinho, não consigo
reflectir essa mudança neste espaço. Têm sugestões? Ainda aí estão?
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