sábado, 18 de janeiro de 2014

Mudança


Sei que tenho descurado este blog e por isso me penitencio. Disse-vos há meses que estava de volta e depois… black out completo, desapareci…. Penso todos os dias que deveria escrever algo, mas não atino com o quê. A minha vida mudou. Não para melhor nem para pior. Mudou simplesmente! E eu não consigo decidir de que forma essa mudança se reflectirá neste espaço sem torná-lo num diário sem interesse.

Decidi que hoje era o dia de sair desse impasse, quebrar o silêncio e abrir o meu coração. Sem reservas, como sempre fiz aqui. Pois aqui vai…

A mudança de que falo não foi só decorrente da tempestade de que vos falei num dos últimos posts que escrevi. O autismo do meu filho não está curado. Eu não mudei de emprego. Continuamos a ser só nós dois. Mas chega do que não foi, vou antes contar-vos como foi.

No Verão dei uma entrevista para uma revista sobre o diagnóstico do meu filho, contrariamente à sugestão da jornalista (que me conhece e pensou que eu pretendia uma entrevista anónima), não sei porquê, resolvi expor-me. Fui fotografada. Dei uma entrevista aberta, franca, onde contei tudo (ou quase tudo) sobre mim, sem reservas. Achei o resultado lamechas, muito diferente daquilo que sou. No entanto, e ao contrário daquilo que inicialmente pensei, foi avassalador. Recebi apoio das fontes mais improváveis. Pessoas que eu pensava que nem sequer gostavam de mim ligaram-me e enviaram-me emails a dar os parabéns a desejar boa sorte.

Entendi então que o facto de não ter amigos próximos se deve unicamente a mim. Não foram eles que se afastaram quando eu me fechei por causa do diagnóstico do meu filho, fui eu que nunca os mantive por perto. E porquê? Analisando o meu comportamento desde que me conheço sou levada a pensar que, tendo o autismo uma predisposição genética, foi de mim que o meu filho o herdou.

Mas não procuro um diagnóstico, já não é importante. Basta-me a consciência da causa para actuar sobre o efeito. Não quero com tudo isto dizer que mudei radicalmente, mas agora esforço-me e esse esforço é reconhecido, estou (mais ou menos) integrada num grupo de amigos. Se ao falar com sinceridade as pessoas me consideram interessante é porque, afinal, se calhar até sou! Mudei, pelo menos um bocadinho, não consigo reflectir essa mudança neste espaço. Têm sugestões? Ainda aí estão?

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