sexta-feira, 8 de março de 2013

O que é que o meu filho mudou na minha vida? Mudou tudo!


O que é que o meu filho mudou na minha vida? Mudou tudo... A mudança foi gradual, começou quando tive que ficar hospitalizada, ao 5.º mês de gravidez, e aí permaneci 10 semanas. Foi uma experiência única, porque durante este longo período, permaneci deitada, concentrada apenas no meu filho, e sabia sempre como se estava a sentir, em que posição estava,… Foi sem dúvida neste período que a nossa relação se tornou tão forte.

A mudança continuou quando regressei para casa sozinha com uma criança prematura, que com um mês pesava menos de 2 quilos. E ficou quase completa quando, aos 18 meses, soube que o meu filhote era diferente e ia ser sempre diferente.

Nos anos seguintes “inundei-o” de terapias e levei-o a consultas de mil especialidades diferentes. Achei sempre que, mais tarde ou mais cedo, se ia fazer um clic, ele ia ter um salto de desenvolvimento e tudo ia ficar bem. Nunca pensei no meu filho como tendo uma deficiência e, por isso, exigi sempre muito dele

A rotação na minha vida ficou completa quando, há três anos, alguém mencionou a palavra Autismo. Ficou tudo explicado: o porquê das birras, da agressividade, da hiperactividade, das brincadeiras sem nexo,…

Se eu pensar em mim própria há 8 anos, nada é igual. Passei de uma fase em que me anulei completamente para outra em que voltei a preocupar-me comigo de um modo diferente. Problemas que antes me tiravam o sono, hoje parecem-me não ter qualquer importância. Não só passei a relativizar quase tudo, como me parece que as soluções de todo o tipo de problemas, que antes me atormentavam, são mais facilmente alcançáveis. É como se uma parte qualquer do meu cérebro, que antes não funcionava, se tivesse tornado activa. E é engraçado reparar que as pessoas que me conhecem parecem pensar o mesmo e recorrem a mim como se eu fosse uma “iluminada” e pudesse resolver todos os seus problemas…
 
Hoje, se me perguntarem se gostava que o meu filho fosse diferente. Não, não gostava! Se houvesse um interruptor para “desligar” o autismo, eu não o usaria. Se o meu filho não fosse autista, não era o meu filho. E eu adoro-o tal como ele é! E sei que me tornou numa pessoa melhor!

2 comentários:

  1. Oh admiro muito o teu testemunho, obrigada pela partilha. Fico feliz por te ter descoberto neste mundo blogoférico!

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  2. Fico feliz por poder partilhar a minha experiência :)
    Bjs,

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